A maior empresa brasileira e uma das maiores do mundo passa por uma crise sem precedentes. Há exatos cinco anos, o Financial Times posicionava a Petrobras entre as 12 maiores empresas do mundo.
Entretanto, ao longo dos últimos cinco anos a posição tem sido descendente, ao ponto de no primeiro semestre deste ano (2014) ter sido rebaixada para 120ª posição no ranking e ainda com tendência de queda.
Hoje, a empresa vem literalmente “derretendo”; o seu valor de mercado tem caído sistematicamente, passou de R$ 380 bilhões em 2010, para R$ 176 bilhões em 2013, ou seja, a empresa já desvalorizou-se cerca de 50%.
Mas o estrago ainda não foi computado, ele virá em parte, com a publicação do balancete que foi adiado e poderá surpreender ainda mais, fortalecendo a desvalorização das ações.
Segundo agências de risco internacionais, a Petrobras já é considerada a empresa que mais perde valor de mercado entre as maiores empresas dos países emergentes.
Não bastassem as manifestações naturais do mercado, retratadas pelo desinteresse nas ações da companhia, relatório recente do Bank of America Merril Lynch demonstra que, atualmente, a Petrobras é a empresa mais endividada do mundo.
Dados divulgados pela própria companhia, no terceiro trimestre de 2013, indicavam que o nível de endividamento da estatal triplicou e chegou a R$ 176,3 bilhões (dívida líquida).
Analista de mercado, há anos, vem criticando o intervencionismo excessivo do governo na estatal, tudo a bem de promover resultados econômicos que não refletem a realidade do País, principalmente pelo represamento dos preços dos combustíveis. Para fazer frente ao controle forçado dos índices de inflação, o governo vem tornando a Petrobras numa bomba relógio.
Os eventos dos últimos meses, com a prisão de membros da alta direção, confirmação de subornos e a estimativa de que os desvios de recurso alcancem a ordem de 30 bilhões de reais, e ainda, a confirmação do envolvimento das maiores empreiteiras responsáveis pelas principais obras da companhia no escândalo, sinaliza que o agravamento da situação financeira da empresa é eminente.
Há quem já aposte que ela não sobreviverá a essa, que é a maior crise de sua história. Agências internacionais já falam na falência da companhia no curto médio prazo; por exemplo, a consultoria norte-americana Macroaxis estimou que a possibilidade de a empresa decretar falência nos próximos 2 (dois) anos é de 32,4%.
Mesmo que essa possibilidade ainda seja pouco provável, o simples fato de os agentes de mercado considerarem essa variável demonstra que a companhia terá sérias dificuldades de captar recursos no mercado internacional, o que trará mais instabilidade aos negócios.
Endividada e aparelhada pelo governo, o futuro da maior empresa brasileira é incerto. Para os potenciais investidores, paira um descrédito muito grande sobre os diretores da empresa. Com o adiamento da publicação do balancete trimestral, as desconfianças do mercado só aumentaram e o cenário de agravamento da crise é o mais provável.
Analistas vêm classificando o “Petrobrolão” como o maior escândalo já vivido no mundo corporativo, algo nunca visto no mundo, isso porque as instituições constituídas, representadas pela Controladoria-Geral da União, Ministério Público Federal e Estadual e Congresso Nacional, ainda não se debruçaram totalmente sobre o caso.
A única certeza é incerta, ninguém tem ainda dimensão do que serão os efeitos dessa crise no ambiente econômico e político brasileiro, quem viver verá!