Na vida, sonhos são conquistados quando o pensar, o falar e o agir são movidos por uma força maior que inunda todo o ser, dá asas à imaginação e firmeza aos passos: a esperança.
Brilhando como estrela no céu da alma, é promessa de dias melhores, orienta caminhos e motiva a não desanimar diante das frustrações e tristezas. Iluminados por ela, sentindo sua coragem e confiança, avançamos em direção à superação dos próprios limites.
Na estrada da vida, os desafios e temores do fracasso assombram cada esquina da existência.
Segundo o filósofo Voltaire, o medo envenena o espírito e mata a certeza de dias melhores, sabotando ideais, paralisando a criatividade e iniciativa, e torna o ser impotente diante do enfrentamento dos problemas que certamente surgirão.
Por outro lado, apoiar nossas expectativas única e exclusivamente na passividade e ilusão é caminho certo para a infelicidade. Um antigo ditado judaico aconselha a esperar com o coração aquecido pela fé, ao mesmo tempo em que se trabalha duro, empenhando-se para que os objetivos se concretizem.
As pressões do mundo e tentações de escolher a porta larga e nem sempre a mais correta virão, assim como a convicção de que para qualquer escolha haverá um preço a ser pago. Verdade é que a realização e a conquista da felicidade encontram-se por trás da dificuldade de ultrapassar a porta estreita, e é nesse percurso que amadurecemos e agigantamos como seres humanos.
Estamos em dezembro e o final de mais um ano se aproxima. É tempo de esperança! É hora de preparação para o final de uma etapa e para o começo de uma nova jornada. É momento de repensar e corrigir erros, reavaliando conceitos e valores que nos moveram pelos últimos meses.
Olhar para nós mesmos sem disfarces, e meditar sobre o que somos do ponto de vista material, intelectual, emocional e espiritual, analisando criticamente os medos que limitaram e interromperam nossos passos e ideais.
Assim como uma vela, somos presenteados com um corpo material e com o poder de ser chama acesa, iluminando e aquecendo os que estão a nossa volta com a energia que irradiamos e carregamos no peito.
Como a vela, com o passar do tempo vamos, pouco a pouco, sendo consumidos física e espiritualmente, processo esse acelerado pelo trabalho indigno, rotina escravizante, vícios e consumo indiscriminado de um estilo de vida doentio e egoísta que nos oferece prazer imediato e fugaz.
Quando isso acontece, nossa luz interior fragiliza-se e torna-se uma tímida chama, correndo o risco de se apagar no primeiro sopro de desilusão que encontrar.
Entenda que a esperança que nos move é o oxigênio que mantém essa chama acesa, mesmo diante das tempestades que nos atingem. Sejamos velas que, mesmo consumidas no final de nossas vidas, continuarão acesas na alma e no pensamento de outras que insistirão em brilhar.
O desafio está em, a cada Natal, fazer renascer essa chama nos corações dos homens; pois, do contrário, dominados pelo medo e desespero, morreremos, pouco a pouco, em meio à escuridão de nossas escolhas. Não permitamos que esse sentimento se agigante em nosso íntimo!
Para o Natal que se aproxima, vamos nos preparar, corrigindo e ajustando as rotas que tomamos no último ano, acalentando sonhos e esperanças no futuro, fazendo da fé uma inspiração maior e, como diria Mario Quintana, encontrando, nas pequenas coisas, grandes motivos para ser feliz!
*médico, escritor, palestrante e compositor – www.fabioaugustooficial.com.br.