Tudo que lemos nos jornais leva-nos a reflexões tristes e incômodas sobre o tamanho do roubo praticado pelos nossos políticos responsáveis pela administração pública.
Nessa última eleição, o custo das falcatruas, dizem os jornais, já ultrapassa 10 bilhões de dólares. Em nossa moeda, esse triste real, já são contabilizados mais de 25 bilhões. Não sei a quanto chegará essa conta. Ninguém sabe. Nunca saberemos. E, se soubéssemos, não teríamos cadeias suficientes para o castigo devido.
Andam dizendo que a corrupção sempre existiu no Brasil. Podemos ampliar a conceituação dizendo que sempre existiu no mundo. É da natureza humana. Antigamente diziam alguns filósofos que os homens nascem bons e a sociedade é que os perverte.
Essa agradável teoria da bondade natural do homem, cultivada com muito amor, foi destruída pelo surgimento da psicanálise, que, estudando em profundidade o comportamento do homem, chegou à conclusão de que ele nasce com todas as possibilidades da maldade.
Isto é, o homem não nasce bom, ao contrário, traz inatos os egoísmos básicos de toda maldade humana. Freud chamou a criança de um perverso polimorfo que cabe à sociedade educar. Estamos aqui na colocação oposta à bondade natural do homem – essa é a proposta verdadeira.
Somos todos potencialmente safados. Como é possível sanar o mal se ele é inato à natureza do homem? O caminho é a educação e, infelizmente, a punição. Uma palmada da mãe, em resposta ao ato malfeito da criança, é sim o complemento da educação. Assim como a indesejável agressão e a prisão dos bandidos são também respostas buscando a educação.
O que fazer com essa gente? Ignorá-la? Talvez, pois santos e bandidos nos acompanham em todos os caminhos. Mas, algum dia, esse País culto e belo acordará. Estas reflexões nasceram de perguntas de um jovem adolescente indagando-me como é feito o roubo em política.
Lembrei-me de um caso que vivi. Eu era secretário de Educação de nossa cidade (primeira e única experiência minha com a administração pública). Certo dia, eu me vi obrigado a falar com o prefeito; ato frequente e normal na administração. Dirigi-me ao seu gabinete e abri a porta como sempre fazia. Vi que o prefeito atendia uma pessoa diferente, de paletó e gravata. Tentei voltar. Com um gesto com as mãos, ele pediu-me que esperasse. O salão era muito grande, sentei-me junto à porta e, de lá, não ouvia a conversa. De repente o prefeito deu um murro na mesa e gritou com o homem para que saísse.
Aproximei-me do chefe que, ainda vermelho de raiva, disse-me que “aquele fdp” vinha oferecer-lhe dinheiro para ganhar a concorrência do asfaltamento de uma área na cidade. Esse prefeito chamava-se Plínio Barbosa Martins.
Existe ainda gente assim? Claro que existe, mas, cada vez mais, estão recusando a política. Disso somos culpados. Precisamos dar maior valor ao nosso voto.
Não é possível que se ganhe eleição com a compra de votos do bolsa família, maior força política dessa última vergonha eleitoral.