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Adriano Garcia: "A esperança é a última que morre"

Médico Veterinário

Redação

04/01/2015 - 00h00

Esta é uma frase mais antiga do que os antigos, e através de gerações temos ouvido cada vez mais a “dita cuja”.

O que vejo é que esta frase tem moldado nossa cultura, nossos hábitos e, em grande parte, tem levado a um descrédito enraizado no subconsciente da população ao longo dos anos.

Talvez a esperança já tenha morrido, afinal, há tempos estamos sendo governados por pessoas que não se importam com mais nada, estão destruindo, se já não destruíram, toda e qualquer esperança que o povo possa ter.

A falta de compromisso, de vergonha, de honradez, de respeito e a banalização das promessas proferidas apenas para alimentar a ilusão dos menos avisados, levaram-nos a desacreditar nas pessoas que nos governam, não estamos mais acreditando em nada, daí vem o subconsciente e nos trai compulsivamente com a velha frase: “a esperança é a última que morre”.

Enquanto isso, gerações estão morrendo, estão “passando” e nós, cidadãos, nada temos feito para mudar. É mais cômodo “empurrar” na esperança a nossa incapacidade de, efetivamente, fazermos alguma diferença em nosso cotidiano.

O hábito de nos apegar na esperança é uma clara evidência da falta de cultura em acompanhar, cobrar e exigir atitudes mais transparentes dos nossos “homens públicos”, que com o passar do tempo não se sentem mais na obrigação de cumprir as promessas de campanha. Imaginem se as tais promessas fossem cumpridas? Com toda certeza do mundo, a esperança seria atual, presente, e não, simplesmente empurrada para um futuro incerto.

Enquanto houver o total descaso com a verdadeira educação, o incentivo na inversão de valores, a certeza da impunidade, e, principalmente, a falta de empenho da palavra, nada teremos de novo. E a esperança continuará entranhada em nossos subconscientes, e com o passar do tempo, continuaremos sem a educação adequada, gerando pessoas com cultura empobrecida propositalmente.

O poder também enraizado no consciente dos governantes é fruto da nossa cultura empobrecida, que os transformamos em celebridades, e damos a eles essa sensação de que podem tudo sem que haja punição, e, na maioria das vezes, não tem mesmo.

Se continuarmos na esperança nunca veremos um país melhor, nunca teremos políticos melhores, nunca teremos uma vida melhor.

E, se continuarmos assim, estaremos condenando o futuro e a real esperança dos nossos filhos, das nossas crianças. Estes continuarão sem educação adequada e, consequentemente, viverão numa cultura pobre como nós, aprenderão a aceitar o que lhes derem e, alguns, mais espertos, aprenderão a politicagem atual e continuará a impor na população que a “esperança é a última que morre”.

Será que já não morreu e não percebemos ainda?

Significado de esperança: ato de esperar alguma coisa ou confiar em alguém para cumprir algo.

Vamos esperar ou continuar confiando em alguém?

E a atitude? Esta ainda nos pertence e podemos usar a vontade.

 

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