Thomas Hobbes, grande filósofo inglês do século XVIII disse que “o homem é o lobo do homem”. Eu acrescentaria, ao tema, com todo respeito ao ilustre filósofo que “a humanidade é um imenso lobo que por não ter o seu predador, se autopredará”.
São tantas as imbecilidades praticadas pelo ser humano contra o próprio ser humano nesse século XXI, que chego a pensar se é correta a definição conceitual que damos a “ser humano”. Muita idiotice do homem vem dele mesmo, de sua criação, de sua genética, da forma “umbilical” que lhe repassaram os conhecimentos. Outras insanidades lhe chegam pela intensa massificação fornecida pelo meio ambiente que vive, e dentre essas, quero destacar, a publicidade de milhões de produtos martelando todo o dia, toda a hora, a cabeça dos habitantes desse planeta, instigando-os à compra desenfreada, ao consumismo, convencendo-os, até de uma necessidade, que teoricamente, eles não tenham.
A publicidade transforma um objeto comum em algo único, de status, de poder e aliena o pobre mortal que, às vezes, em condições normais não teria condições de adquiri-lo ou até nem lhe teria tanta utilidade.
Dados recentes do IBGE relatam que 64% dos domicílios de brasileiros que chegam a passar fome com seus filhos, algum dentre eles tem celular, conforme demonstrou pesquisa da PNAD de 2013. Estes têm graves problemas na segurança alimentar. A Pesquisa Nacional por Mostra de Domicílios mostra também grande percentual de residências pobres, com grave grau de segurança alimentar, mas que tem eletrodomésticos, tais como geladeira, fogão e até computador, alguns com internet.
Nada tenho contra qualquer cidadão usufruir do conforto da modernidade da industrialização e da tecnologia. Todos merecemos aproveitar o que de melhor a ciência oferece. Só não entendo a ignorância humana que troca a ilusão pela dignidade. Como explicar essa informação oficial de que uma pessoa tem celular, mas não tem o que comer? Que mundo é esse?
A configurar-se isso, embora eu não tenha descrença na pesquisa, dá vontade de amaldiçoar todas as empresas de telefonia pelos créditos que vendem (ninguém usa celular sem pagar) ao mendigo, ao miserável, ao faminto, pela troca que estes fazem ao dar o seu minguado dinheiro, ganhados muitas vezes da reciclagem do lixo, das guardas de automóveis nas grandes cidades ou até de esmolas que recebem de uns poucos cristãos, as essas poderosas multinacionais. Sem maldição. A publicidade que fazem é regulada pelo governo, ninguém é obrigado a comprar celular e crédito, além do mais, essas empresas são grandes recolhedoras de impostos. O problema é o próprio ser humano. Mas, e a publicidade, tem culpa do consumismo que se aflora no mundo, muitas vezes, provocando paradigmas inconsequentes e quase nefastos?
Se a gente perguntar a um publicitário sobre isso, ele nos mostrará infinitos benefícios que a propaganda traz ao consumidor, inclusive, dirão até que a publicidade “humaniza’ o produto que se vende.
O certo é que o celular recebe, além de ligações, mensagens e muitas publicidades. O computador é mais amplo, recebe muito mais e dá mais acessos. Isso é só benefício do pobre que o usufrui? Deveras. Dentre muitas coisas, pelo celular se recebe o pedido de votos, a mensagem do candidato, do governo, a informação, por exemplo, que o bolsa-família vai acabar se fulano ganhar, ou se fulana ganhar continua e por aí afora. Então, parece que todos ganham com todos tendo celular. Ter fome é um mero detalhe. O negócio é o status.
Tudo nesse mundo é relativo. A publicidade tem seus pontos positivos, também. Até o homem ainda é bom. O ser humano, como disse o filósofo, é seu próprio lobo. O que ele não pode esquecer é que esse lobo já não é mais filhote. Vai atacar.