Artigos e Opinião

ARTIGO

Rapphael Curvo: "Pátria educadora"

Jornalista e advogado

Redação

05/01/2015 - 00h00

Os que apoiam o governo Dilma Rousseff fiquem à direita. Os que são contra o governo Dilma Rousseff fiquem à esquerda. É esta a nova postura que deve ter a política e os políticos brasileiros ante os desmandos e malfeitos que grassam em todo o governo. Aliás, no Congresso Nacional,  a bancada petista – dilmista, muito bem situada com o contexto, está à direita da mesa que comanda o plenário e representa o governo Dilma. 

A presidente lançou o seu novo lema “Brasil, pátria educadora”. Foi uma sugestão dada pelo Senador Cristovam Buarque como lema de governo, o qual deveria abraçar com ardor e carinho. Como se sabe há séculos, a educação é o caminho do desenvolvimento, da evolução de uma Nação. Não há como progredir sem que o País tenha alto índice de seu povo, detentor de conhecimento tecnológico, científico e cultural. Hoje no Brasil, de acordo com novos dados, temos apenas 11% da população entre 25 e 65 anos com formação em curso superior, somados aqueles com o curso superior completo presencial, aproximadamente 3,8%, os chamados tecnólogos de curta duração (dois anos) e os cursos do EAD, Ensino a Distância. As necessidades da nossa pátria são da ordem de 35% de formados no curso superior. 

O novo Ministro da Educação para o lema “Brasil, pátria educadora” já chega falando em recursos para aumento de salários dos professores. É a dica de que vai fazer do ministério um trampolim político para algum cargo em futuro próximo. Em sua fala,  pouco ou nada se percebeu de preocupação com a qualidade do ensino e mesmo de uma política para melhorar a performance da Educação brasileira, como, por exemplo, de atração da juventude para a educação. Hoje temos, entre os jovens de 15 a 29 anos (fonte: Estadão/IBGE), 44% que só trabalham, 20,3% que não trabalham nem estudam, 22,7% que só estudam e 13% que trabalham e estudam. São dados significativos para perceber que 64,3% dos jovens entre 15 e 29 anos estão fora do processo educacional. É um escândalo, é uma aberração. É um suicídio cultural coletivo. Mais, mostra a urgência de resolver e dar solução aos 44% dos jovens que só trabalham para inseri-los no índice dos que trabalham e estudam. A minha proposta é dar descontos aos empregadores em suas pendências com o fisco, para compensar a diminuição da carga horária de trabalho daqueles que queiram estudar, por que não? Não dá desconto de IPI e outros tributos mais aos industriais?

Será impossível dar solução à educação no Brasil enquanto ficar vigente o sistema atual da educação. Em razão dele e suas anomalias, surgem outras como transformadoras, o que é pior, o mais do mesmo. Engessam, como sempre, a educação em números que são o  êxtase dos governos, mostrar números em detrimento da evolução administrativa, pedagógica, do aprendizado e da eficiência. Assim, bilhões são gastos, e não investidos, em projetos educacionais surrealistas e surgem pelos caminhos comissões, grupos de estudos, projetos e por aí vai, sem qualquer resultado prático que mude os “números” absurdos mostrados acima.

São gerações jogadas ao lixo em razão dessa masturbação mental que há anos se processa nos governos, em todos os níveis. A Educação terá que ser um processo elaborado e continuado de administração por quem entende de educação na sua mais pura essência e desvinculada da esfera de ação política de governo. Projeto neste sentido, uma tentativa de sacudir o pensar de quem governa, foi oferecido por mim ao atual governador de Mato Grosso, ex-senador Pedro Taques, ao senador Cristovam Buarque, em análise pela direção da PUC-RIO, e ao deputado federal Júlio Campos (MT), que tomou algumas iniciativas. 

Uma medida de urgência é preparar aqueles que atuam na área educacional com cursos de capacitação para que possam processar o que lhes será incumbido como tarefa a se executar. Não adianta elaborar projetos sem que os seus aplicadores consigam entender aquilo que está projetado.

É mister que se façam constantes reuniões de trabalho em cada setor para que toda a espinha dorsal possa transmitir com eficiência, ao corpo da área educacional, aquilo que é enviado pelo cérebro, ou seja, pela equipe que pensa e comanda sua organização e administração. Isto é vital aos aplicadores do ensino, os professores. A tarefa número um destes é fazer entender ao aluno a razão e o valor da educação na vida de cada um, sem isto, a escola se torna um mero ponto de encontro. Para o sucesso de tal empreitada é fundamental o enterro dos egos. Só assim teremos uma pátria educadora. Feliz 2015.

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