Lá vou eu falar de coisa que não entendo, o parto, o nascimento dos bebês. Desta feita, a respeito dessa recente medida do governo federal, visando diminuir os partos cesáreos pelos planos de saúde no Brasil.
Eu deveria ficar em silêncio e não me manifestar, contudo, “um impulso estranho” e “uma vontade enorme de escrever” se apossam de mim e, aí, escrevo. Nisso, com muita felicidade, tenho a cumplicidade de um dos maiores jornais do Brasil, o Correio do Estado, de Campo Grande-MS, fundado em 1954, um ano depois que nasci, por isso, somos sexagenários. Quase velhos, mas felizes!
Essa resolução do governo federal, se bem analisada, quer “quase” obrigar os hospitais e médicos a determinar a forma que um bebê nasça, induzindo a mãe de aceitar os argumentos do médico que a trata, sugestionados pelo governo, sobre os benefícios do parto natural, sob a alusão de que isso é benéfico a ambos, que esse parto ajuda no desenvolvimento da criança, evita risco de infecções, etc.
Essa decisão parece que é dirigida somente aos planos de saúde, particular, do Brasil. Quer dizer, aos que pagam altas mensalidades, para ter acesso à saúde, que teoricamente, pela Constituição Brasileira, deveria ser oferecida pelo governo federal a todos os brasileiros, em escala de satisfação total, mas que não o faz e ainda quer intervir na parte que a gente paga, fora os altos impostos e tudo mais.
Oras bolas! Que balela é essa? Como já disse, não entendo nada de parto, mas senhor ministro da Saúde fique grávido e vá dar à luz em parto natural, meu velho. Vá ver como é “legal” a dor, seu imbecil. Até Jesus Cristo comentou sobre a dor do parto. Não deve ser mole, não!
Em minha opinião, o governo precisa saber, ter sensibilidade e, principalmente, conhecer o que o povo quer, quando vai intervir sobre temas controversos, que envolvem a vida, nossos desejos e concepções. Já escrevi antes, o governo central, ultimamente, tem avançado em direção oposta ao bom senso sobre questões importantes da nossa vida, de uma maneira geral.
Penso que a mulher, só a mulher, em sã consciência, deva decidir de que forma quer parir. Essa resolução da Saúde Federal parece mais revestida de “medida econômica”, a quem não sei. Mas é estranha, considerando que todos sabemos que o parto natural, teoricamente, é melhor à mãe e ao seu nascituro, mas que também isso implica em dor, mais estresse, mais sofrimentos.
Por que não deixar a gestante, que paga caro o plano de saúde, optar pelo tipo do parto? Expliquem a ela os riscos e os benefícios. Deixem-na escolher. Qual o interesse “econômico” do governo (“ou do ministro”?). Outra coisa, se é para estimular o parto normal, não se esqueça ministro da Saúde de que os médicos envolvidos não vão abrir mão dos seus honorários “de espera”, até que o bebê resolva nascer. O Ministério da Saúde não concorda com esse “valor agregado” nem os planos de saúde. E aí, como é que fica? Quem vai pagar?
Então, vai a sugestão: “governo central: pare de meter o bedelho em que você nada faz. Você, governante, tem que ter inteligência, astúcia, perspicácia e eficiência para lidar com uma nação”.
À gestante, à mulher, seja dado o direito pleno de escolher, como, quando e onde parir. A cesárea, digam para ela, é desnecessária. Ou, caso contrário, falem: é cesárea se não tem risco. Mas, se ela optar pela cesárea e está pagando por isso, atendam-na. O que o governo tem com isso?
Estou errado?