Os acontecimentos na França colocam em evidência os pensadores de mesas de boteco que, ao seu desejo e modo, fazem as maiores articulações para chegar a uma conclusão dos motivos das ações terroristas. Há os que fazem uma análise fria e próxima da motivação maior do ato de terror.
É possível chegar próximo à compreensão do fato e razão que motivou a ação desses jovens e o que os levaram a participar da nova corrente motivacional de guerra, destituída da bandeira pátria e aglomerada em correntes grupais nas mais diversas partes do mundo. A cada uma delas fica a bandeira “ideológica”, seja política, religiosa, tribal e por aí vai.
A esquerdopata já entrou em cena imediatamente ao ataque no Charlie Hebdo dizendo que há uma visão maior além das motivações religiosas afetadas pelas publicações do “pasquim” francês. O ataque foi, na verdade, segundo ela, desferido contra a esquerda francesa que prega pela liberdade das publicações da mídia. Aí já entrou toda a história da equipe do semanário que na juventude se formou, politicamente, nos grandes movimentos de esquerda dos conturbados anos 60 chefiada por Daniel Cohn Bendit, hoje deputado pelo partido ecologista Die Grúnem. Há outros que já determinam que o mundo está em guerra e que o ataque ao Charlie é o avanço em território inimigo. Existem várias correntes que, oportunistas, trazem à tona movimentos obsoletos e descabíveis para fundamentar sua análise sobre as razões das ações terroristas pelo mundo.
Na minha forma de ver, não analista, mas com boa dosagem de entendimento, acredito que estes movimentos todos, com base fundamentada na religião, está em busca de um espaço de Poder, exclusivamente. A luta por territórios deixou de ser política, mas ainda fundamental para se formar grupos de Poder. Em qualquer lugar do mundo está nascendo uma nova cultura que, acredito, vai se processar em nova estrutura de formação das Nações, mas todas elas com o objetivo de dominação. Terá por ideologia a região, a raça, a religião ou mesmo a cor da pele. Hoje ainda são pontuais, mas esse é o direcionamento.
O Poder não terá pátria e muito menos componentes políticos ideológicos aos moldes de hoje.
Qualquer atividade de grupos em sua busca terá apenas rótulos, assim como é o PT e outros partidos brasileiros, o que interessa é o Poder do grupo e, para tal, qualquer meio se justifica, seja lá matar, roubar, mentir, enganar e por aí vai. As armas a se utilizar dependerão do momento e das condições que o caminho vai exigir. Oprimir em nome da liberdade, seja espiritual ou política, é o lema. Existe uma crise entre a liberdade de viver e a opressão religiosa e política. Elas encontram terreno fértil no campo árido da mente dos povos que pela sua própria omissão em se construir, em se educar e ter um mínimo de cultura, tornam-se presa fácil aos sedentos pelo Poder. Cedem aos discursos envolventes e encantadores recheados de promessas, até mesmo de virgens no paraíso.
É um sinal de que ainda vivemos a pré- história da civilização. O ato em Paris prova isso. Aqueles que não conseguem espaços por suas próprias limitações encontram no fanatismo e na violência uma forma de vida.
Uma outra forma de avaliar esse movimento religioso islâmico seria entender que seu maior objetivo, talvez, seja tentar redesenhar geograficamente o Oriente Médio. Acredito que a manutenção de um campo constante de conflitos force os líderes a aceitar a criação de um Estado Islâmico na região, assim como é hoje o desejo dos curdos. Seria o surgimento de uma nova força política e militar a atuar na briga pelo domínio das terras sagradas. Esse grupo islâmico corre contra o tempo, já que a força do petróleo está na reta final como cacife para estabelecer forças na comunidade internacional.
A melhor charge que poderia produzir agora o Charlie Hebdo seria uma mesa-redonda formada pelos cartunistas mortos juntos com DEUS e de braços abertos dizendo, aos seus executores, sejam bem-vindos. No fim, todos para o mesmo lugar.