Quem estava de férias ou viajando e tenha se desligado das notícias veiculadas pela imprensa, provavelmente, ao retornar à realidade do nosso País, tenha se surpreendido com os aumentos de tributos federais e na energia e que também não haveria mudanças no papel dos bancos públicos, entre outros que estão por vir. Sobretudo aqueles que acreditaram nas promessas de campanha da então candidata Dilma de que, uma vez reeleita, não oneraria os contribuintes e usuários, tal como fariam seus concorrentes, pois a economia do País, comandada por ela e seu ministro Mantega, estava muito bem!
Como isso tudo não passou de uma grande mentira eleitoreira, a bomba está com a nova equipe econômica. E, ao que tudo indica, não obstante a promessa do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que não fará um “saco de maldades”, mais arrocho virá, o que não deixa de ser maldade ao consumidor e ao empreendedor, tudo por conta, em grande parte, à má gestão anterior.
Apenas para suavizar a terminologia, na realidade, estamos mais uma vez nos deparando com a materialização da propaganda enganosa, pois se ofertou uma mercadoria e está-se entregando outra completamente diversa da prometida. E, ao consumidor, como avalista desse quadro, cabe-lhe fazer a sua parte para não deixar a peteca cair e torcer que os quatro anos de mandato passem rápido, mesmo porque o mandato é passageiro e o Brasil continua.
A verdade é que para ganhar o pleito vale tudo, até mentir conscientemente. Todos sabem que o grande arquiteto do projeto de eleição/reeleição é o marqueteiro. Ele é o responsável pela montagem do quadro e, conquanto saiba que é enganoso, constrói-o de uma forma competente a convencer o eleitor de que o candidato a quem trabalha é super-homem/mulher, portanto, capaz para fazer, até mesmo, milagres. E o candidato, mesmo consciente de que não é a personagem descrita e de que o projeto é inexequível, toca em frente, pois, em última análise, o que deseja é ganhar o pleito.
Na realidade, o marqueteiro monta o projeto e, como não é ele quem vai executá-lo, recheia-o com os ingredientes a seu gosto, capazes de seduzir o eleitor, e passa a bomba para o seu cliente, no caso destas reflexões, à sua cliente: Dilma.
O candidato, no caso, a candidata, esqueceu(!) que o eleitor não elege o marqueteiro e que o “mandato” deste se encerrou com o término da eleição. Com efeito, as promessas, as enganações, etc., foram substituídas pela realidade. A “batata quente” está com a nossa mandatária mor.
Diante desse contexto nada animador, como fica o eleitor, ou mais precisamente, o interesse da sociedade, da qual fazemos parte? Bem, o eleitor e a sociedade como um todo, como diriam os portugueses, ficam “a ver navios” e torcendo que a equipe econômica resolva os problemas da economia brasileira. Porém, desde que o remédio não mate o paciente, porque o quadro não é nada animador, mesmo para os mais otimistas.
O pior disso tudo, ao menos para tentar justificar o quadro que nos apresenta, é que a presidente (ou presidenta, como se intitula) não tem o direito de olhar para o retrovisor e tentar transferir a responsabilidade ao seu antecessor, como já se tornou comum em relação a alguns novos mandatários.
Mentirosa ou enganosa – seja qual for o termo utilizado –, a verdade é que uma grande parcela do eleitorado brasileiro foi enganado. Pintou-se um quadro totalmente diverso do real, com um único propósito: manter-se no comando do País e o povo que se dane.