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OPINIÃO

Antonio João Hugo Rodrigues: "Chega de chororô!"

Jornalista

Redação

21/01/2015 - 00h00

Desde que eu me conheço por gente (e isso faz muitos anos...), tenho assistido a governadores eleitos culparem os antecessores por uma série de “maldades” como se isso bastasse para justificar, por exemplo, o não cumprimento de promessas feitas na campanha, em boa parte, irresponsáveis e enganosas para os eleitores.

Vivi muitos chororôs de governadores depois de empossados. Reclamaram de Garcia Neto, de Cássio Leite de Barros, de Marcelo Miranda, de Pedro Pedrossian, de Wilson Barbosa Martins, de Zeca do PT e, agora, de André Puccinelli. O que mais temos visto, nos últimos dias, é a choradeira de Reinaldo Azambuja, como se pudesse culpar o ex-governador de tudo que poderá vir a acontecer. Como todos sempre assim o fizeram, ou seja, culpar ex-governantes, vamos dar um desconto e deixar Reinaldo na sua constante lamúria, quase um mantra. Mas não por muito tempo.

Afinal, nosso governador, pelo menos durante a campanha, tinha soluções para tudo: para a falida (?) máquina administrativa, para a segurança pública, para a educação, para a saúde, enfim, para tudo. Escolheu a comissão de transição, acompanhou o ex-governador e o ocaso do Governo Puccinelli por meio desta comissão, durante os últimos dois meses, e, enfim, assumiu. Em traje de gala, cercado de assessores e dos inevitáveis puxas. E como eram tantos...

Penso que, em fevereiro, ele comece a achar as soluções para os problemas que certamente encontrou. Ele, pessoalmente, escolheu seus assessores. Os partidos que o apoiaram não foram contemplados, pelo menos alguns. Mas há de se convir que, em alguns casos, os secretários usarão as secretarias como palanques eleitorais. O que é uma pena, uma vez que nosso Estado não merece que políticos, durante a campanha, pleiteiem uma função e, depois da vitória, mudem de ideias, abandonem as suas promessas eleitorais e passem a se dedicar a interesse próprios e pessoais. Assim, mal terminou a eleição, foi iniciada a guerra pela Prefeitura de Campo Grande. E várias do interior. No caso do atual Governo, será uma fase de absoluta autofagia. O que será mais do que péssimo para Mato Grosso do Sul.

Será um teste de liderança para Reinaldo Azambuja. Ou faz seus secretários e apoiadores sossegarem ou terá de conviver com brigas internas. Para isso, terá de ter autoridade de chefe. Puccinelli, com todos os seus defeitos, tinha de sobra, pelo menos, até o meio do seu último período de Governo. Depois, perdeu-se e perdeu suas maiores eleições.

Pessoalmente, estou mais do que curioso. E receoso, ao mesmo tempo. Espero ver Reinaldo Azambuja impor sua autoridade, mas receio que não o faça na medida do necessário. Também espero que acabe a fase quase natural da choradeira e passe a apresentar soluções para todos os problemas que encontrou. Durante o período eleitoral, ele tinha todas as receitas. Creio e espero que não tenha perdido o caderninho de soluções mágicas. Caso contrário, estaremos todos liquidados. E vamos nos juntar ao coral das lamúrias, como as velhas carpideiras.

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