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CENAS

Oswaldo Barbosa de Almeida: "Sobre bancos e banquetas"

Oswaldo Barbosa de Almeida: "Sobre bancos e banquetas"

Redação

22/01/2015 - 00h00

A propósito da publicação de minha crônica anterior, denominada “Pérolas bancárias”, aqui neste espaço, no dia 8 último, o grande escritor e amigo Samuel Xavier de Medeiros fez um comentário na minha página do Facebook a respeito da inauguração do Banagro em sua cidade, Jardim, e revelou o que teria sido outra “pérola”. Disse ele que, naquela ocasião, um abastado fazendeiro foi à nova agência para abrir uma conta e efetuar vultoso depósito, mas foi logo advertindo o gerente: “Eu não quero que o meu dinheiro fique misturado com o do fulano, aquele porqueira.”

Samuel afirmou também que o Banagro era chamado pelos jardinenses de “banquinho”. Então me lembrei de que, na época, existiam aqui em Campo Grande dois estabelecimentos bancários muito menores que o nosso banco, do qual nós, funcionários, tínhamos orgulho. Ele não era tão pequeno, uma vez que cobria, com 27 agências, quase todo o grande estado de Mato Grosso ainda indiviso e algumas cidades do estado de São Paulo, incluindo a Capital. Duas das cidades de Mato Grosso onde o Banagro estava instalado mudaram de nome: Vila Brasil é a atual Fátima do Sul e Mutum, no norte, denomina-se, hoje, Dom Aquino.

Os “banquinhos” a que me referi, que nós, do Banagro, chamávamos de “tamboretes”, eram as cooperativas de crédito Banco Agrícola de Dourados, com sede naquela cidade e uma agência em Campo Grande, e o Banco Rural de Mato Grosso, com a sede e única agência aqui na então “capital econômica de Mato Grosso”, num acanhado salão da Rua 13 de Maio, entre as ruas Dom Aquino e Cândido Mariano, demolido há tempos para dar lugar ao hoje abandonado prédio da Caixa Econômica Federal.

O Agrícola de Dourados foi fundado pelo mega fazendeiro Laucídio Coelho. Mais tarde, sob o comando dos irmãos Lúdio e Italívio Coelho, foi adquirido o controle acionário do Banco Financial de Mato Grosso S.A., com sede e única agência em Corumbá, controlado por Alfredo Zamlutti, empresário local. Com a mudança de comando, a matriz da companhia foi transferida para Campo Grande, sendo encerradas as atividades da cooperativa, o Banco Agrícola de Dourados. Como os não tão antigos ainda se lembram, mais adiante o Financial passou ao controle do Banco Mercantil e Industrial do Paraná, o Bamerindus, que, depois, liquidado pelo Banco Central, foi passado na bacia das almas ao capital multinacional, representado pelo HSBC.

Quanto ao minúsculo Banco Rural de Mato Grosso, teve ele curta duração, encerrando suas atividades algum tempo depois, não sei por quais motivos. Também não tenho conhecimento de quem foram seus fundadores.

Outro estabelecimento bancário fundado aqui foi o Banco do Povo de Mato Grosso, uma sociedade por ações, que teve entre seus maiores acionistas o comerciante Naim Dibo que, grande tomador dos serviços do Banagro, resolveu ter o seu próprio banco, o qual também teve curta duração. Tinha sua sede e única agência num prédio ainda existente na Barão do Rio Branco, pouco abaixo do Hotel Jandaia.

*Advogado e escritor ([email protected])

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