O mundo passa por uma profunda crise de autoridade. Os mandatários do poder político estão em baixa na credibilidade e na confiança do povo. Os professores estão limitados em seu poder e autoridade perante os alunos. Os pais estão se sentindo impotentes ante tantas exigências e reclamações dos filhos.
As leis, os ensinamentos e o trabalho da educação estão perdendo sua força e seu poder de orientar e dirigir os destinos da família e da sociedade. A tendência é de cada qual se virar como pode e como sabe. Por maior que seja o esforço de atualização, ainda assim está difícil a convivência entre os seres humanos.
E isso vem desde que o ser humano despertou para a necessidade de uma convivência harmoniosa e fraterna. Sempre existiram fenômenos dificultando essa convivência. Entre os antigos se alguém aparecesse com uma doença séria era imediatamente isolado da família e da sociedade.
A doença e outras deficiências físicas eram vistas como consequência do pecado. E as pessoas eram consideradas possessas do demônio, ou prisioneiras de outros maus espíritos. Eram pessoas limitadas pela ignorância e pela pobreza. Ou também eram as que se deixavam dominar pelo ódio, pela falsidade, ou pela injustiça. Todas excluídas da comunidade e todas afastadas de Deus. Só Deus poderia livrá-las de tais situações e de tais pecados.
Surge o Mestre dos mestres e se vê envolvido com essas situações e ameaçado pelos poderosos da época por estar realizando curas sem o aval das autoridades religiosas. Mas ele sabia o que estava fazendo.
Num dia de sábado, estando reunida a comunidade na Sinagoga para as orações prescritas, eis que entra um homem possesso por um espírito mau. Todos os olhares se voltam para o Mestre aguardando um desfecho. O sábado era sagrado. Nenhuma atividade era permitida. Só oração e louvor. Mesmo assim o Mestre chama junto a si o homem e o liberta do espírito mau. “Todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: o que é isso? Um ensinamento novo, dado com autoridade. Ele manda até nos espíritos maus e eles obedecem”. (Mc.1,27)
A ação demoníaca escraviza e aliena o ser humano. O Mestre sabia muito bem disso. Não só liberta o homem como o reintegra na comunidade. E o povo reconhece nele um ensinamento novo dado com autoridade. Bem diferente era o ensinamento dos escribas e dos mestres da lei.
Olhando para nós: não basta admirar, ou até se extasiar com tão maravilhosos ensinamentos. É preciso fazer acompanhar nossos ensinamentos com o testemunho de vida e de atitudes. Não podemos apenas apontar os que são falsos em suas pregações ou em seus ensinamentos. Precisamos constantemente rever e examinar humilde e sinceramente a nós.
Sabemos que é preciso moralizar o poder político. Mas é também preciso moralizar nossas atitudes. Sabemos que os pais precisam melhorar seu relacionamento com os filhos. Mas é necessário que todos cultivemos com profundo e sincero amor nossa fé e nossa crença em Deus.