Artigos e Opinião

ARTIGO

João José de Souza Leite: "João Wayne Ford Dias"

Aquidauanense e cinéfilo

Redação

03/02/2015 - 00h00

João Dias não é apenas a denominação de um pequeno córrego assoreado que desagua à margem direita do Rio Aquidauana, após cortar, a oeste, a cidade do mesmo nome. É bem mais que isto. É o nome de uma figura emblemática, cuja história pode ser assim resumida: quando criança, foi raptado e criado entre os índios; muitos anos mais tarde, após intensas buscas, foi trazido para a convivência dos seus parentes de sangue, depois de ser encontrado, quase índio. 

Debbie foi uma menina raptada por comanches, no Texas, em 1968, e procurada por seu tio Ethan Edwards e seu irmão adotivo Martin Pawley, incessantemente, por anos a fio, até ser encontrada, quase-índia.

A história de João Dias você lê no livro de Aglay Trindade Nantes, “Morro Azul – Estórias Pantaneiras”, reeditado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul – IHGMS, localizado na Rua Calógeras, esquina com a Avenida Mato Grosso. Vale a pena ler.

A história de Debbie você pode ver na tela grande, no faroeste “Rastros de Ódio” (The Searchers, 1956), direção de John Ford, no Cinemark, que de uns tempos para cá tem apresentado clássicos do cinema. Vale a pena ver.

Ford, baseado na história de Cynthia Ann Parker, raptada pelos comanches em 1836, fez uma obra  belíssima, com locações de tirar o fôlego no Monument Valley, de um humanismo contagiante, dramático, tenso do começo ao fim. John Wayne, o anti-herói do filme, odeia de morte os índios. Mesmo fazendo uma penosíssima busca para encontrar sua amada sobrinha (Natalie Wood), ao se deparar com ela, índia, é tomado de uma fúria para matá-la, bem como o chefe índio Scar (tradução: “cicatriz”), nome metáfora no contexto da sociedade norte americana.
 

Aglay, ao falar do Morro Azul, localizado na encantadora paisagem de Piraputanga e Camisão, transmitindo-nos a história que sua família guardou na memória, nos revela um atormentado  João Dias adulto, em busca de sua identidade, branco por fora, mas índio por dentro, passando semanas alongado no mato, longe de todos. Chegou à velhice beirando à loucura. As famílias que fundaram a cidade de Aquidauana (1892) compraram suas terras para ali instalar o novo núcleo urbano.

Não se pode contar a história do Cinema sem citar “Rastros de Ódio”. Não se pode contar a história do Brasil sem refletir sobre a vida de João Dias Cordeiro.

 

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).