A notícia publicada pelo Correio do Estado em edição recente informando que o ex-governador André Puccinelli pagou uma “mega-sena” na ordem de R$ 13 milhões para uma empresa gráfica no final de seu governo causou indignação e revolta em todos os segmentos sociais e econômicos da nossa população.
Esse volume generoso de recurso financeiro, disponibilizado de um só jato, para uma determinada empresa comercial ofende a nossa inteligência, deixa indignado o nosso empresário, desacredita a nossa juventude e nos remete ao entendimento de que o então gestor do nosso dinheiro não teme a Deus.
Não é possível acreditar que algo tão enfadonho e deprimente tenha ocorrido nos limites territoriais do nosso ente federado, que foi conquistado com muita luta, com esforço extremado, com perdas de vidas preciosas, mas, sobretudo pelo idealismo dos nossos antepassados.
Não, isso não pode ser verdade diante de uma realidade preocupante que constatamos diariamente em todos os quadrantes do nosso estado. São essas cadeias públicas transformadas em masmorras, que não recupera socialmente o ser humano que cumpre pena; hospitais, sem as mínimas condições materiais para os nossos profissionais da área de saúde exercerem seus ofícios com dignidade e altivez; professores, que sempre entabulam lutas heroicas por um salário justo e nem sempre são atendidos em seus pleitos; mães, que gritam e suplicam todos os dias por mais creches para os seus filhos. A área da segurança pública, então, vive o pior de todos os caos, que a administração pública poderia oferecer ao seu cidadão.
Mesmo assim, com todos os seus gravames conspirando em desfavor do povo, o avanço do nosso estado em termos de seu desenvolvimento socioeconômico é fruto muito mais da força do nosso empresariado, e da população em geral do que propriamente da ação governamental.
Muitas vezes, a ação governamental passa a ser verdadeiro e cruel empecilho para um maior encorajamento no que se relaciona à criação de novas frentes de trabalho, salários razoáveis, pessoas qualificadas e volume financeiro mais abundante circulando em nossa economia.
Nesse quadro de puro realismo, que pode ser acrescido ainda com a alta carga tributária que exige dos que produzem bens e riquezas, cresce de importância, para esse segmento, o valor que representa essa enxurrada de dinheiro gasto sem necessidade premente.
Não temos, nenhuma preocupação em avaliar a administração do ex-governador, especialmente, seus avanços sociais registrados, se foi razoável, boa, ótima ou mesmo excepcional.
Não, isso não tem nenhuma importância para justificar o gasto da dinheirama sem nenhum critério justificável. Existe, por acaso, propaganda maior e mais importante e sem nenhum gasto para a administração pública do que aquele em que a população constata no seu dia a dia, em sua cidade, no seu bairro, na sua vila, no seu distrito, esses avanços para melhorar sua qualidade de vida ?
Não, não existe. E, nesse quadro de indignação, torna-se muito difícil ser uma pessoa forte para interpretar a gastança desse porte, sobretudo quando veio com a chancela de quem efetivamente deveria zelar pela boa aplicação dos nossos recursos.
Essa lambança toda não pode ficar isenta de qualquer tipo de crítica, de inconformismo ou mesmo de irresignação por parte do cidadão que não compactua, não aceita, não concorreu, não deu causa, nem quis, tamanha irresponsabilidade.
Escorado nesse diapasão não vamos nos sentir isolados e nem mesmo as nossas ideias resultarão contaminadas com qualquer outro tipo de colocação porque sempre estaremos animados pela luz do nosso entusiasmo e pela grandeza da nossa coragem.