O avanço da ciência e da tecnologia, especialmente a partir da segunda metade do século 20, tem trazido a rápida obsolescência para uma infinidade de produtos que, até recentemente, eram considerados modernos.
Tenho uma pequena enciclopédia de ciência e técnica, edição de 1979, que explica o funcionamento de alguns equipamentos e máquinas que atualmente estão completamente obsoletos. Há alguns dias, passando por uma dessas lojas de livros usados, resolvi entrar e oferecer a coleção, pois necessito de espaço na estante para novos livros que chegam. O gerente disse não ter interesse, uma vez que, com a internet, ninguém mais compra enciclopédias. De fato, na rede mundial encontramos resposta a qualquer pesquisa que realizemos.
Bem antes dessa, já havia descartado a famosa “Delta Larousse”, vendida a um “sebo” a preço de banana (ainda é válida essa expressão?), quando a internet ainda não dominava tudo (ao menos por aqui) e os filhos já haviam concluído os estudos regulares.
O objeto do primeiro verbete dessa coletânea é a fita cassete. Vejam só: algo que, há poucos anos, era considerado moderno e de avançada tecnologia, desapareceu, varrido pelos sistemas de gravação e reprodução digital, a permitir que um dispositivo do tamanho de uma unha seja capaz de armazenar e tocar milhares de músicas. Qual o jovem que, vaidoso, não curtia o seu “walkman” até recentemente? Hoje ele dispõe dos “players” de ouvido, sem fio (“wireless”), alto-falantes que cabem nas aurículas do ouvido, conectados ao celular ou a outro dispositivo de bolso, etc.
Conheço pessoas que não conseguiram se adaptar ao computador e ainda fazem uso da velha máquina de escrever, equipamento que, por gerações, agilizou a escrita como hoje a conhecemos, ora relegada aos museus. É claro que, no trabalho, é inviável sua utilização atualmente, pois, além de se poder escrever com muito mais facilidade e rapidez com os recursos do computador, geralmente se trabalha conectado de alguma forma: os textos, depois de produzidos, são enviados por e-mail para publicação, quando é o caso, ou para sistemas de automação como os do Poder Judiciário, com o denominado processo eletrônico ou digital. E ficam arquivados no próprio computador.
Por longos anos batalhei em máquinas de escrever, mas confesso que não tenho nenhuma saudade delas. Relembro o sofrimento que era datilografar um texto enorme e, ao conferi-lo, constatar a existência de erros que exigiam refazer todo ou grandes partes do trabalho. Quando participamos da instalação do nosso Tribunal Regional do Trabalho (e não faz tanto tempo assim!), não dispúnhamos de nenhum computador. Todo o trabalho era realizado em máquinas de escrever e de calcular, elétricas ou manuais, e muitos registros eram processados manualmente.
Outros ícones devorados pela máquina do tempo: o filme fotográfico, o disco fonográfico de vinil, o vídeo cassete, o mimeógrafo (aparelho copiador) e mais uma infinidade que não dá para enumerar por falta de espaço.