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João Batista Pereira: "Pobre cidade!"

Advogado

Redação

09/02/2015 - 00h00

Campo Grande, outrora embelezada por ruas e avenidas largas, já não mantém sua identidade principalmente nos bairros onde são aprovados loteamentos por conveniência, com ruas e avenidas estreitas, fruto da ganância de especuladores e interesses escusos, com o poder público ignorando a distorção descaracterizando a história de uma das mais gostosas cidades para se viver. No imbróglio: cassa cargo de prefeito e retorna-o; cassa-o novamente; assume vice e por decisão liminar o apeia do poder e volta o prefeito eleito e, de novo, reassume o vice; quem vai pagar a conta?  Acertou. Serão os habitantes, os munícipes de Campo Grande amargando retrocesso de cinco anos, no mínimo. 

Antes elogiada, se vê com sujeiras e ruas esburacadas, trânsito caótico sem sinalização, vias públicas verdadeiras colchas de retalhos com tanto tapa-buraco. A cidade é considerada uma das mais violentas em se tratando de acidente automobilístico. Visitantes e os próprios moradores se acham perdidos no centro e principalmente nos bairros por não ter ruas nominadas. Se há plano diretor, não se cumpre. 

O prefeito deve arregaçar as mangas e convocar os atuantes vereadores a lutar pelo progresso traçando metas beneficiando a população, sem se preocupar com explicações, a exemplo da mãe de soldado no conto popular: - “Mãe e comadre foram ver filho e afilhado mostrar desempenho em desfile militar. A certa altura, a comadre comenta: - meu afilhado quando bate o pé esquerdo no chão os seus colegas o fazem com o pé direito. A mãe, orgulhosa: meu filho é o único que está de passo certo.” Olarte pode pensar que só ele está certo se iludindo como está o personagem “Comendador” da telenovela “Império”. O comendador é o único que se acha invisível (morto) e muito bem escondido. Mas as torcidas do Fluminense, Flamengo, Corinthians sabem que ele está vivinho e todos conhecem os esconderijos. As tiradas (explicações) de Gilmar podem encaminhar para a fábula do soldado ou, se desejar, para os devaneios do “Comendador”.

Os senhores vereadores e prefeito atentaram que logo a cidade terá mais de um milhão de habitantes? Não é hora de desapropriar áreas nas cercanias de aeroportos, rodoviárias, shoppings e outros locais estratégicos? Quanto mais se posterga, mais os imóveis escasseiam e os valores aumentam.  Não há como fugir do transporte público; é olhar à frente com construção de metrô, VLT, etc. É um acinte vê numa haste de madeira fincada na calçada: “Agetran- Ônibus”. Há pontos de ônibus que sequer cabe meia dúzia de usuários. Vergonha! Tripudia-se sobre quem merece respeito até mesmo no seu lazer. Até quem não depende de transporte público percebe a precariedade.

Pedindo desculpas ao senhor prefeito e aos assessores é bom levantarem as nádegas das cadeiras e ir à luta. Perguntar ao taxista, ao condutor de ônibus, ao comerciante, aos policiais, às pessoas, quais os pontos críticos e perigosos onde ocorrem acidentes fatais e procurar solução. Olhar diferenciadamente para a Saúde, Educação e administrar com lisura. O poder contagia, é gratificante, é prazeroso, mas exige responsabilidade. Senão...  

O digno prefeito não pode resolver todos os anseios populares, mas deve procurar fazer o máximo. Pedro Pedrossian construiu Universidades, Moreninha, Estrela Sul, Aero Rancho, Parque dos Poderes, duplicação entradas/saídas da cidade, parques de lazer e outras tantas benfeitorias transformando Campo Grande na metrópole que é; e a cidade sempre teve bons administradores, com rara exceção. Olarte que faça por merecer a confiança dos habitantes desta aconchegante cidade devolvendo-lhe à identidade; pois, sendo a capital do Estado por direito, precisa ser também de fato, urgentemente.

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