Artigos e Opinião

opinião

Ruben Figueiró: "A Madeira e o Cupim"

Ex-senador

Redação

10/02/2015 - 00h00

Muitos dos que lerem estas mal traçadas linhas haverão de recordar-se daqueles anos aziagos da década de sessenta do século passado, com destaque os de sua metade – 63 e 64. Foram eles de apreensão nacional. As instituições republicanas tinham seus pilares de sustentação democrática sob o vergaste constante de uma onda vermelha e o acicate da foice e do martelo. Além um presidente indeciso, ao oscilar entre a preservação da ordem institucional e os acenos vorazes de amigos ursos e famélicos para instalar no país uma ordem síndico- esquerdista, tornava inquieta a nação.

Os partidos políticos, ressalvadas algumas lideranças altivas com visão no horizonte rubro ameaçador, se acomodavam às circunstâncias, como soe acontecer na atualidade. A fonte legítima popular diante da impassividade dos políticos começa a se manifestar e tem respaldo em setores importantes da sociedade organizada e daí surge forte reação, foi às ruas e casas para despertar a consciência e responsabilidade do Congresso Nacional e das Forças Armadas para rechaçar a ameaça da desordem.

Passados meio século, pouco mais, nuvens voltam a toldar o cenário de nossa pátria. Claro que elas apresentam nuances diferenciadas daquelas de então, porém todas indicam que seu núcleo contém os mesmos componentes energéticos. São cúmulus-nimbus, CBs em formação ameaçadora.

Embora alguns entendam decorrem elas de um efeito tropical, sazonal, de acomodação de estruturas de ordem sócio econômica, assim não entendo, eis que estão a revelar uma ameaça tsunâmica a médio prazo, seguindo os princípios norteados pelo malsinado Fórum de São Paulo, jamais olvidado pelas esquerdas. O que me conforta é que o povo brasileiro adquiriu sólida consciência nos valores da democracia, nada obstante reconhecer a fragilidade do Legislativo perante os destemperos do Executivo, este autocrático e imperativo.

Os escândalos denunciados no atual petrolão graças às águas detergentes da Operação Lava-Jato, a crise energética, os prognósticos negativos da economia, a inflação em taxas ascendentes aumentando o custo de vida; impostos, taxas, juros pantagruélicos são sinais deveras preocupantes. Fernando Henrique Cardoso não faz muito escreveu, mercê seu largo conhecimento da realidade nacional como um dos estadistas da República, para alertar a todos que “ ao entrar na madeira, o cupim é invisível; quando percebido a madeira já apodreceu”. Parábola de fácil inteligência.

Sinceramente,caras e caros leitores, sobrevivente do temporal vermelho dos anos sessenta, confio que a previsão de um brasileiro experiente como FHC , embora não alarmista, desperte a atenção de todos nós.

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