Sempre que começamos um novo ano fazemos promessas e construímos planos de mudanças para termos uma vida melhor. Perder peso, trabalhar menos ou mais, passar mais tempo com os filhos ou fazer exercícios regulares estão entre os juramentos mais comuns. Nesse sentido, quando criamos estratégias para qualquer tipo de mudança, os seres humanos buscam nada mais nada menos do que a possibilidade de uma vida melhor. Esta busca incessante, hoje comumente relacionada a uma melhoria na qualidade de vida, não é algo novo.
Nos primórdios, os hominídeos migravam longas distâncias em busca de melhores áreas de caça e coleta de frutas e grãos. Com o advento da agricultura, aprendemos a domesticar plantas e animais buscando aproveitar melhor os alimentos e consequentemente reduzimos as perdas energéticas. As construções de casas nos permitiram reduzir o ataque de predadores, nos protegendo cada vez mais de ambientes hostis. É inegável que nossa almejada qualidade de vida melhorou muito durante os últimos séculos. O ser humano praticamente dobrou sua expectativa de vida na maior parte do planeta. Além disso, cada vez mais a tecnologia nos auxilia a diminuir o pesado fardo de sobreviver em diferentes ambientes por todo o mundo.
Com a enorme disponibilidade de alimentos e uma quase que completa ausência de predadores, deveríamos ser uma espécie feliz e satisfeita no mundo em que vivemos. Mas infelizmente não é isso que acontece. Dados consistentes por todo o mundo descrevem uma enorme insatisfação em grande parte das pessoas. Em países desenvolvidos como o Japão e a Coreia do Sul, onde os salários são razoavelmente altos e o desemprego e os índices de criminalidade são pequenos, os índices de suicídio são muito maiores do que os observados em vários países em desenvolvimento. Desta forma podemos imaginar que a vida tecnicamente perfeita não traz a felicidade plena e que, aparentemente, os seres humanos precisam de alguns níveis de estresse. O estresse basicamente atua sobre o hipotálamo e também sobre a hipófise, causando uma série de sintomas como ansiedade, tensão e inquietação.
Por outro lado o estresse também apresenta seu lado benéfico, nos mantendo alertas a perigos e ameaças que nos dias de hoje se escondem no abstrato da competitividade e competência profissional, bem como na sobrevivência econômica e na nebulosidade das perspectivas futuras. Assim, estresse em demasia é extremamente danoso, mas sua completa ausência aparentemente também o é.
Mas seria o almejado equilíbrio o caminho correto para atingir a felicidade? Deveríamos ser um ying yang de estresse e tranquilidade para atingirmos os melhores índices para uma vida melhor. Um prestigiado jornal de Harvard estampou no último ano em sua capa uma matéria que provocava os leitores com a ideia de que as pessoas que gostariam de ser bem-sucedidas em seu campo de atuação basicamente deveriam esquecer o equilíbrio.
Para o sucesso deve-se fazer uma opção, citava o artigo, e o profissional deveria se dedicar exclusivamente ao trabalho. Entretanto, embora funcional para uma rica carreira produtiva, este caminho tampouco leva a maioria das pessoas à felicidade plena. Se desta forma a qualidade de vida pode estar relacionada diretamente à felicidade do indivíduo, este conceito pode ser dependente de cada grupo de pessoas, podendo esta estar relacionada à cultura, família, emprego, bem como a outros inúmeros fatores.
Aparentemente não existe a qualidade de vida perfeita, sendo esta variável para cada um de nós dadas as múltiplas facetas dos seres humanos. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.