Como foi amplamente divulgado pela imprensa nacional, na semana passada o PT, em um dos seus piores momentos, com a presença dos seus principais caciques, comemorou o aniversário de 35 anos de sua fundação com festas, pompas e discursos inflamados, na capital mineira.
Todavia, a pergunta que não quer calar é se no atual contexto o partido tem o que comemorar ou a festa foi apenas para tentar dissimular o momento conturbado que vem enfrentando, sobretudo pela sucessão de fracassos à frente do comando do País, especialmente nos últimos oito anos.
Bem, a sucessão de escândalos – a começar pelo “Mensalão” e agora com a corrupção incalculável na Petrobras, rotulada “Petrolão”-, associada à má gestão político-administrativa verificada ao longo dos quatro anos da administração da presidente Dilma, a resposta – levando-se em consideração, não o interesse do PT em si, mas sim, o interesse nacional – só pode ser negativa. Aliás, como diria o poeta, “nunca antes na história deste País” iniciou-se uma gestão federal tão “para baixo” como estamos enfrentando, mesmo para os mais otimistas. Também pudera, com novos aumentos de preços (energia, impostos, alimentos etc); com uma perspectiva de inflação alta; com uma estimativa de crescimento zero ou, até mesmo, negativo; com o aumento do desemprego; com a divulgação diária de novos escândalos na Petrobras, envolvendo alguns dos seus principais líderes. E o que é pior disso tudo é que não há luz no fim do túnel.
Milhões e milhões de reais escapando pelo ralo e a conta acaba sobrando para a sociedade brasileira.
O PT – que em um primeiro momento, conquanto o seu radicalismo, ao menos enquanto não era poder – surgiu com propostas de moralização da administração pública. Até mesmo muito daqueles que não comungavam com seu radicalismo e com sua linha ideológica passaram a acreditar nos bons propósitos desse novo partido político surgido das bases e com um perfil diferenciado. Era, de fato, um partido com militância que empunhava sua bandeira de defesa da coisa pública, isto é, do interesse republicano.
Entretanto, com a conquista do poder, mudou-se o rumo. A militância, sobretudo seus líderes, com raríssimas exceções, não andam mais de Fiat 147 ou a pé, e sim, de veículos importados, aviões etc. As grandes empreiteiras deixaram de ser inimigas, ao contrário...
A verdade é que o quadro é outro. E piorou ainda mais com a insistência de o partido permanecer no poder. O atual contexto revela que o marqueteiro João Santana teve que reinventar a realidade, com distorções dos fatos, para conseguir reeleger Dilma Rousseff. E agora, ao que tudo indica, o mesmo marqueteiro está de volta e terá que fazer milagre novamente para tentar recuperar a imagem da presidente. Será que consegue?
A missão fica praticamente impossível, ainda mais depois das promessas de campanha de que não haveria aumentos de preços; com a sucessão de escândalos na Petrobras, envolvendo, entre outros correligionários, João Vaccari, tesoureiro do PT (que conquanto estivesse ansioso para depor, a polícia teve que pular o muro da sua casa para conduzi-lo para colher o seu depoimento); associados às críticas na escolha do presidente da Petrobras e de vários ministros.
Aliás, a situação está tão caótica que até mesmo os funcionários do Ministério das Relações Exteriores foram recomendados que levassem papel higiênico para o local de trabalho (Claudio Humberto, Correio do Estado, 6.2.2015, p. 4).
Não obstante, comenta-se que Lula pretende viajar o País para trabalhar candidatura à sucessão de Dilma (Correio, 10.2).
De fato, o PT vem conseguindo milagre, o que, embora improvável, consiga eleger novamente o seu cacique mor, ao contrário do que ocorre em outras localidades, pois segundo a crítica especializada, na Europa, assim como em outros países desenvolvidos, jamais se conseguiria reeleger ou manter no governo alguém que fizesse uma péssima gestão como ocorreu com Dilma. Nesse aspecto, o PT teve o que comemorar.
Diante desse contexto, mesmo que se tente resgatar o ensinamento do ex - primeiro ministro britânico Tony Blair de que “a confiança é a chave da prosperidade”, com a sucessão de novos fatos negativos que surgem diariamente, a confiança e a autoestima do brasileiro zeraram. Logo, o PT, urgentemente, precisa refletir.