Artigos e Opinião

ARTIGO

Rapphael Curvo: "Brasil, que pena!"

Advogado e jornalista

Redação

17/02/2015 - 00h00

Há indícios de que o Brasil está com possibilidades de novo rumo. Pelo menos é o que indicam os acontecimentos no Congresso Nacional com a sua tentativa de independência do Executivo e dos “conselhos” do ex presidente Lulla. Posicionamentos firmes e até certo ponto dentro da proposta de atuar com mais contundência no cenário político que estava restrito a Dillma e ao PT. Outro sinal que está com muita fé dos brasileiros é a Operação Lava Jato, denominação em razão do posto de combustível em Brasília em que se davam as negociações e entrega da propina. Estão querendo a todo custo cassar a atuação do Juiz Federal Sérgio Moro que pode trazer, com a investigação, um ar de decência e ética as relações do poder público com o setor privado. 

Outro indício importante é a tomada de consciência da população sobre as mentiras da campanha que elegeu a presidente Dillma. Hoje se descobre que ela passou a perna no eleitor e usou o tempo de campanha para criar ilusões aos brasileiros de que tudo estava certo com a economia e com o desenvolvimento do Brasil. Continua passando a perna ao afirmar que as novas medidas irão trazer novos horizontes de tranquilidade e prosperidade, e isso é balela. O Brasil não tem capacidade técnica para se desenvolver, exceto pequenas ilhas como a Embraer por exemplo, assessorada pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA. Não temos capacidade educacional para mover o País e a base de nossa educação é sofrível, ainda estamos no tempo de escolas “maltrapilhas”, sem qualquer vestimenta cultural e profissional em nível da exigência do mundo hoje. No Brasil, escrever o nome já se considera alfabetizado, é uma pobreza educacional extrema.

Isso tudo não é resultado apenas do governo Dillma, é uma extensão do Lulla. Os desmandos e falcatruas veem de longe, da década passada, melhor, 2003. É dessa época que se generalizou a instalação de quadrilhas para realizar assaltos aos cofres públicos. Procedentes de grupamento social de baixa qualificação e sem meios que pudesse levar à riqueza, a maioria dos membros do quadro político que assumiu há 14 anos o Poder, se fartaram do dinheiro público. Não podiam acreditar em tanta facilidade para tal. Estava ali, era só “tascar” a mão, muito fácil. Bastavam umas notas frias e acordos de “cavalheiros” na propina via contratos e tudo resolvido para ter acesso a barcos, carrões, apartamentos de luxo, viagens e por aí vai. Ainda existem os que acreditam que o testa de ferro Lullinha é o rico. O Pedro Barusco tinha 100 milhões de dólares e era um simples gerente da Petrobras.

As empresas envolvidas na Operação Lava Jato alegam que eram extorquidas, mas a facilidade de chegar ao dinheiro e as obras públicas eram mais forte para o aceite do jogo. Agora dizem estar quebradas e sem condições de tocar as obras. Acontece que muitas já não têm o interesse, de parte de seus proprietários, de continuar. Perderam a finalidade. Amarram tanto o Poder Público, que não há no Brasil outras com o porte para dar continuidade. Elas são a extensão da personalidade de seus donos, corruptores e salafrários. O problema da manutenção das obras obrigará o governo abrir a participação às empresas do mercado internacional. O questão é que a propina pode ficar mais curta. Creia, não há Lava Jato que segure essa turma, a escassez de água da moralidade é grande.

Diz o ditado popular: “Todos os rios correm para o mar”. A geografia prova essa tese. São águas que se perdem no oceano e deixam de ter melhor utilização. Qual a razão de não dar início a melhor utilização da vazão dos rios? Imaginem os leitores o quanto o rio Amazonas joga fora por segundo e que através de um projeto de engenharia poderia fornecer suas águas a milhões de pessoas. A Líbia construiu um canal por milhares de quilômetros, o Brasil está tentando fazer a transposição do São Francisco que décadas passadas era considerada obra impossível e só não está concluída por incompetência ou, quem sabe, ser fonte de propinas. Temos que partir para a criação de “estradas” fluviais e água é que não falta. Sabemos que a crise hídrica com a falta de chuvas em algumas regiões vai ser longa e até agora pequenos passos estão sendo dados pelo governo de São Paulo. Resumindo, ou tomamos uma atitude para educação de nível no País ou ficaremos a mercê de bandidos, de incompetências, de safadezas, de falcatruas, de mentiras e ilusões. Brasil, que pena.

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