Artigos e Opinião

OPINIÃO

Mario Amaral Rodrigues:"Tecnologia, o avanço e o atraso"

Docente aposentado da UFMS –associado do Rotary Clube C. Grande Universidade

Redação

22/02/2015 - 00h00

Vemos “coisas de outro mundo”, “fantásticas” como as ficções científicas de meu tempo de criança, já bem distante. A invasão por “lunáticos” as viagens espaciais de Flash Gordon e tantas outras “invencionices” da época, sonhos então admitidos como mirabolantes. Estou vivo e vendo muita coisa da então ficção. Grande parte do que vejo (espero ver mais), me foi informado via quadro negro, o recurso audiovisual da época, pelo saudoso Prof. Virgilio (sempre lembrado com especial carinho), no então Ginásio Estadual Joaquim Murtinho. O  “velhinho” desenhou como seria o receptor de  TV, afirmou que veríamos, em transmissão direta, jogo de futebol sendo realizado na Europa, que sacaríamos dinheiro de máquina que contaria o dinheiro (não falou de explosão delas), falou do telefone com imagem e o do sem fio. Isto tudo em época que o rádio já nos prendia e as rádios fotos nos fascinava.

É maravilhoso falar ao celular, ver TV colorida digital,ver a imagem da pessoa com quem se fala (sei que existe, mas não vi), exames médicos por imagem (inclusive o pago pelo SUS e a serviço de corrupto), ver reportagem de cirurgia, estando o cirurgião na Holanda e o paciente na Bélgica (ou vice versa, não me lembro bem). É confortável, e útil, dispor de GPS, cartão de conta bancária (inclusive em táxi). Espantoso é saber que tudo isso é atraso, para nós, os que escolhemos proceder com a lei. Não acredita? Examine o que segue. 

Para ter sua identidade você vai ao órgão público específico, é fotografado, pela tecnologia disponível, no momento do processo de identificação, tudo “seguro”. Perde seu documento, pronto, fica sabendo que a sua foto substituída e “aprontaram” com o seu documento. Caso a tecnologia não estivesse atrasada, na sua foto existiria uma “marca d’água”, ou similar, com o mesmo número do documento. Se você está falando ao celular, elemento da tecnologia “dita adiantada” que substitui o arroz com feijão na cultura brasileira (sim, muitos que não têm este tem aquele), vem um bandido (geralmente de moto) e o leva sob ameaça ( você não é tolo e não reage); pronto, o seu aparelho, já já, chega em um presídio. Lá ele funciona. Na sua mão é diferente. Há interrupção de sinal, ronco, palavras com interrupções, fuga de sinal e outros irritantes, auxiliares da “máquina de fazer doido”. Esta não é o trânsito, como você pensou. É a escola, como bem diz a Ângela (ver “Correr pra onde e pra que? Correio do Estado-03-02-2015).

O bandido que se apossou de seu celular, a mando do que está no presídio, em significativo percentual, é fruto da evasão (fuga) da escola que não cultiva e não transmite valores, aquela a que se referiu a autora acima. Embora ainda existam heroicos professores que resistem no intento de fazê-lo. Como elegantemente fazia Alcídio Pimentel (eu sou profissional da educação física inspirado nele). Sobre educação eu voltarei a esta página, em breve, sem querer me nivelar à competência da Ângela, evidentemente, mas com igual indignação.

 Voltemos à tecnologia, sobre ela é fácil falar. Caso a tecnologia não estivesse atrasada, o seu celular teria, no interior, a sua impressão digital, e só funcionaria se empunhado por você. Além disso, um bloqueador de celular, ou de qualquer outro aparelho de comunicação, estaria no muro da prisão e tal forma confeccionado que não bloquearia os da região extra presídio e nem o da administração daquele. 

Dizem (há dez anos) que estão tratando disto, mas dez anos, seguramente, não tempo de “avanço tecnológico”, este foi o tempo que os “aliados” levaram para criar e instalar os radares que detectavam os aviões nazistas e, assim, o final da Guerra se prolongou. Se a tecnologia não estivesse tão atrasada, um ”radar farejador” (melhor que um labrador) captaria o odor de um explosivo (todo explosivo, inclusive a munição de arma portátil tem odor característico), captaria quem transportasse explosivo, em especial para explodir caixa eletrônico, também a mando de presidiário (via celular). Aqui eu ouso propor (atenção Corpo de Bombeiros), Enquanto não há avanço: Proibir, imediatamente, caixa eletrônico em posto de combustível....Antes que o óbvio aconteça. Avanço é pensar mais, melhor, antes e com maior eficácia que o bandido.....Atraso é ofertar aquele a este.   

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