Artigos e Opinião

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Ruben Figueiró: "PMDB em fuga"

Ex-senador da República

Redação

10/03/2015 - 00h00

Parece estranha a epígrafe, porém cabe como uma luva de pelica no quadro da política atual. Mesmo com visão panorâmica sem observação dos detalhes é fácil concluir que o governo da Sra. Dilma Roussef está entrando em parafuso funcional tal como uma aeronave perdendo sustentação. Há sinais tenebrosos de um possível desastre.

Onde está a sustentação política, já que a de base popular está se esboroando, perguntar-se-ia? Ela está tão distante e presente desde que o lulopetismo implantou-se no país, isso há mais de doze anos. Chama-se PMDB, o desvirtuado partido que foi dos sonhos do Doutor Ulisses Guimarães e de tantos outros idealistas como hoje permanecem com a mesma flama os senadores Waldemir Moka, Luís Henrique da Silveira, Ricardo Ferraço.

O PMDB após perder as eleições presidenciais com a candidatura do ex-governador Orestes Quércia, em 1994, suas lideranças tal como velhas e experientes raposas na arte da sobrevivência entenderam que o filão de ouro não estava na conquista do poder maior e sim naqueles afluentes que o alimentavam, ministérios, empresas estatais, autarquias, diretorias de bancos e suas ramificações. É o que nesses longos anos deles se empanturrou o legendário partido. Antes serviu-se do governo tucano de FHC – e como.

Já experiente do acerto estratégico, para fortalecer-se não lhe foi difícil tornar-se sanguessuga do lulopetismo. Este o PMDB de Renan e Temer.

Na realidade, a cúpula do PMDB que tem em suas mãos as presidências do Senado, da Câmara dos Deputados, enfim do Congresso Nacional, além das beiras ministeriais, está receosa da opinião pública já enfastiada com o governo Dilma, um claro desastre em todos os campos da administração pública aos quais se somam os escândalos do petrolão e outros que poderão estourar. Da indignação popular, há setores esclarecidos que clamam pelo Impeachment da presidente.

Pela sobrevivência o PMDB tem motivos para reagir. É ele o principal responsável pela política de sustentação do atual governo e sobretudo de sua reeleição. É inegável o compadrio institucional com o PT ressaltado com Michel Temer na vice presidência. Se se levar em peso que o PT representa hoje 12% do eleitorado brasileiro (no passado chegou à 30%) a maioria eleitoral que consagrou a vitória da parceria Dilma/Temer foi oriunda da expressiva contribuição do PMDB. Daí a sua imensa responsabilidade e o que o faz temeroso da voz do povo que pode torná-lo um sepulcro caiado. O PMDB tal como um frágil barco em mar encapelado pelos sopros da corrupção, da má gestão do governo Dilma, na aflição, no desespero, procura um porto seguro para se safar de um desastre anunciado. E o senador Renan já deu as primeiras remadas, convencido ser um hábil timoneiro.

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