Artigos e Opinião

OPINIÃO

"Duas manifestações: estilos, objetivos e resultados divergentes"

Hermano Melo - Jornalista e escritor

Redação

18/03/2015 - 00h00

Na semana que passou, mais precisamente na sexta-feira, 13, e no domingo, 15, Campo Grande, MS, e diversas outras cidades brasileiras, assistiram a duas manifestações populares bem diferentes entre si, tanto no estilo quanto em seus objetivos e nos resultados alcançados. 

A primeira, no dia 13, encabeçada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Federação dos Trabalhadores da Educação (Fetems) – aqui, em Campo Grande –, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e outros setores, vestidos a caráter, em que o vermelho predominava, contou com cerca de 3 mil manifestantes na Cidade Morena e em torno de 40 mil em São Paulo-Capital. 

Em princípio, ela teria como objetivos apresentar as reivindicações de diversos setores dos trabalhadores, manifestar apoio ao governo Dilma Rousseff e colocar-se contra o golpismo. Mas teria também a “função oculta” de promover uma espécie de “vacinação” ante a ameaça da passeata que setores reacionários da sociedade brasileira promoveriam no dia 15/03.

A segunda manifestação aconteceu no último dia 15 e apresentou estilo e contingente diferentes daquela do dia 13: cores verde e amarelo predominavam e, embora fosse comandada por setores conservadores, apresentava também, em suas fileiras, cidadãos comuns, idosos e crianças, que estavam ali para protestar contra o governo Dilma, o PT e a corrupção. Segundo a PM, cerca de 30 mil pessoas participaram da manifestação em Campo Grande, MS, e 210 mil (Datafolha) na Avenida Paulista, em São Paulo.

É possível, porém, que o triplo objetivo das manifestações da esquerda no dia 13 – fazer reivindicações das categorias envolvidas nela, apoiar o governo Dilma Rousseff e “vacinar” a população contra a marcha conservadora do dia 15 – tenha contribuído para que a passeata dos trabalhadores, tanto aqui quanto em São Paulo e alhures, tenha sido meio chocha e deixado a desejar, tanto em número quanto na qualidade de participantes. Faltou gente!

Por outro lado, deve-se salientar a importância da livre manifestação de pensamento e de opinião de setores insatisfeitos da população brasileira nas ruas, de forma ordeira e sem violência. Isto se deve, naturalmente, à democracia, reconquistada desde 1985, após 21 anos de ditadura no Brasil, e que deverá ser preservada a qualquer custo. Mas isso não significa apoio a determinados segmentos golpistas da sociedade brasileira que pregam, aos quatro ventos, o impeachment da presidente Dilma.

Nesse sentido, é significativo que no dia seguinte após as manifestações de rua do dia 15, em conversa com os ministro da Casa, a presidente Dilma tenha identificado, tanto nas manifestações de domingo quanto nas ocorridas na sexta-feira em defesa do governo, a demanda da população em combater com mais rigor a corrupção. Assim, é preciso que o governo anuncie, o mais breve possível e formalmente, medidas mais duras para combater esse mal endêmico no País. Doa a quem doer!

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).