Nos últimos meses, temos acompanhado, atônitos, a imensa crise política e econômica que tem assolado nosso País. Em combate à corrupção inescrupulosa e enorme vilania, observam-se manifestações populares por todo o Brasil, em forma de panelaços e passeatas. Em meio a este consonante tumulto que tem envolvido todos os cidadãos em um enorme manto negro de insegurança, alguns problemas graves, considerados menores, têm passado despercebidos aos olhos da maioria.
Na semana passada, a presidente Dilma Rousseff declarou que cortes e contingências no orçamento serão feitos a fim de preservar a economia nacional. Estes cortes, que não serão poucos, terão um efeito deletério claro e direto na educação, no transporte e na saúde, ocasionando um problema imediato ao povo brasileiro. Entretanto, a contenção e a redução de investimentos causarão uma assombrosa dificuldade em longo prazo, desferindo um duro golpe no desenvolvimento tecnológico e na produção científica nacional.
Esta década tem sido considerada um período precioso para a ciência brasileira, em que o aumento de produção científica e o salto na formação de mestres e doutores alavancaram o Brasil a patamares nunca antes obtidos. Hoje, somos o décimo terceiro colocado em produção científica mundial e temos aumentado a respeitabilidade perante nossos pares, em todo o mundo, com produções de excelência. Embora muitas críticas sejam feitas na direção de que a produção científica nacional apresenta somente quantidade e baixa qualidade, é inegável que galgamos vários degraus em direção à excelência científica nos últimos anos.
Esta escalada pode ser relacionada diretamente à dedicação hercúlea de alguns cientistas e ao aporte de investimentos cada vez mais concisos e substanciosos a área de ciência e tecnologia. Um corte cego no orçamento relativo à ciência, tecnologia e inovação causará um dano irreparável a esta escalada, podendo levar a ciência brasileira a uma era de retrocesso e escuridão em um curto período de tempo.
Nos Estados Unidos, a crise econômica teve um impacto extremamente negativo na produção tecnológica do país, mesmo este sendo extremamente estabelecido e consistente. Em Portugal, algo muito similar ocorreu e depois de anos de ouro em investimento científico, a quebra da consistência destes recursos levou a uma estagnação em formação de pessoal e de produção tecnológica. Em termos práticos esta redução de recursos traz problemas severos em todos os campos que são considerados essenciais para que o Brasil alavanque seus níveis de desenvolvimento.
Cortes severos nos bastiões do financiamento científico nacional como o CNPq, CAPES e as fundações de amparo a pesquisa estaduais atuarão reduzindo nossa capacidade de desenvolvimento tecnológico. Tais bloqueios e contingencias deixarão nosso país mais frágil e menos competitivo ao mercado internacional em setores essenciais incluindo a produção de alimentos, energia e químicos.
Além disso, as jovens mentes brilhantes que estão nascendo serão diretamente afetadas e os potenciais profissionais que são essenciais ao desenvolvimento interno tenderão a migrar para outros países em busca de melhores oportunidades.
Por aqui se acredita que um gênio possa florescer em qualquer parte, mas sem investimentos não e possível ajudá-lo a se desenvolver ou mesmo mantê-lo em sua pátria. Desta forma os pesquisadores de nosso país não devem apenas se unir contra um ou outro governo. Devemos sim nos unir em prol de um estado maior onde a ciência e tecnologia sejam consideradass essenciais e inequívocas para o bem de nosso país. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.