Participei do movimento pela divisão do então Mato Grosso. Lembrávamos Vespaziano Martins, Bertoldo Klinger e a ”criação” do Estado de Maracaju, com limites coincidentes (ou quase) aos de Mato Grosso do Sul. Organizamos “atos públicos”, “passeatas”, com muito entusiasmo. De repente, sem alarido, eis Mato Grosso do Sul. O sonho que alimentou a intensa campanha, por um bom tempo adormecido, se fez realidade, até surpreendentemente.
O início foi conturbado,é bem verdade, mas a antiga campanha vingou, a luta valeu a pena. Sem nunca ter sido político, sempre me coloquei em “atividade política”, como de dever de todo(a) cidadão(ã). Assim sempre votei (na obrigatoriedade com que jamais concordei) com muito mais zelo para o legislativo, pois sou monarquista (forma de governo do parlamentarismo autêntico, e original), desde meus 14 anos, já estou chegando aos oitenta e continuo alimentando o ideal da autenticidade brasileira. Assim, votar para o legislativo me é mais valioso.
Lembro-me de todos em que já votei, inclusive para o executivo. Sei da infeliz verdade de que isso não é o comum. O nosso eleitor não se lembra em quem votou, para legislativo, nem na eleição mais recente. Que lástima! Só me decepcionei com voto para executivo. Votei no Jânio Quadros....barbaridade!
Para nossa Assembleia, sempre tive satisfação. No entanto, sei agora que ela não pode ser “taaaanta assim”, ela é apenas, digamos, relativa. Deixei de discutir um detalhe, com quem apoiei e votei para deputado estadual, na última eleição (e espero votar mais vezes nele), o tema abordado, com propriedade e oportunidade, por Celso Bejarano, na reportagem: “A Assembleia Legislativa nunca contratou por concurso público” (Correio do Estado 02-02-2015) onde é esclarecido que, em 36 anos, nossa Assembleia jamais realizou “concurso” e tem seus funcionários na forma nada ética, embora não ilegal, do “apadrinhamento”.
Tenho certeza que lá há capazes, os quais não necessitariam estar enquadrados assim.
Democracia não é só eleição, como muitos pensam. Na Venezuela tem havido muitas delas, todas para aumentar o poder do executivo, a partir da duração do mandato. O clássico conceito de que, nela, “todo poder emana do povo...e em seu nome é exercido” está, no caso, sendo entendido como “todo poder emana do eleito ... e está sendo exercido com os chegados”. Como dói lembrar que aqueles em quem votei, tem tal dívida com a democracia. A democracia tem, como um de seus suportes, igualar as oportunidades.
Todos, simplesmente todos, os hoje detentores de mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, e todos que lá estiveram, estão em dívida com a sociedade deste estado. Estão em dívida com seus próprios funcionários, que prefeririam estar lá, orgulhosamente, aprovados em concurso público, sem correr o risco de, por outro eleito amanhã, serem trocados por outros chegados. Sabemos que, a cada deputado, de direito, é dado ter assessores, em cargo de confiança, em número suficiente e razoável (na Câmara Federal são 25, o que não me parece razoável), mas a totalidade ser assim enquadrada, evidentemente não é ético. A pessoa em que votei para a Câmara (Federal), na última eleição, não foi eleita. Se estivesse lá estaria, sem dúvida, procedendo como o Deputado José Reguffe, que reduziu seus assessores para 9, abriu mão do 14º e do 15º salários, além de reduzir sua verba de gabinete. Não pode voltar atrás, portanto não é demagogia.
Lembro que o então deputado Jonathan Barbosa (e eu nunca votei nele), quando presidente da Assembleia, chegou a estruturar concurso público para a mesma.O então presidente da Casa, Jerson Domingos, em 29-10-2014, solicitou providências para realização do concurso. O hoje Senador Figueiró (e eu nunca votei nele) e a, para mim Senadora Vitalícia, Marisa Serrano (eu sempre votei nela), se empenharam no tema. A promotora Paula Volpe, recentemente, pediu averiguação a respeito, mas tudo continua “na mesma”.
O meu e o seu voto, para deputado estadual, poderiam estar merecendo ainda maior respeito e sendo contribuintes para firmar conceito de democracia (igualar as oportunidades) ... ainda podem.