O Brasil pode ser caracterizado em períodos de acordo com o setor econômico mais pujante de determinada época. Inicialmente, tínhamos o Pau-Brasil, depois o ciclo do açúcar, ciclo do ouro, ciclo do café e um período de industrialização no século XX. Atualmente, um setor que pode ser destacado como emblemático é o bancário, evidenciado principalmente pelos grandes bancos.
Um sistema bancário eficiente é fundamental para o desenvolvimento de uma economia capitalista moderna, ainda mais considerando o crédito como elemento central no processo de consumo de massas e de investimento. A grosso modo, o papel dessas instituições é exercer a intermediação entre agentes superavitários e deficitários, portanto, captam recursos dos agentes superavitários e emprestam, cobrando juros, para os agentes deficitários, desse modo, prestam um serviço social relevante.
Entretanto, o que chama a atenção é a rentabilidade exorbitante dos maiores bancos brasileiros. Mesmo quando comparados com as instituições norte-americanos a rentabilidade sobre patrimônio líquido (ROE) dos maiores bancos privados brasileiros é muito mais elevada. De acordo com dados da consultoria economática, no ano de 2014, o ROE dos bancos brasileiros ficou em 18,23%, enquanto dos EUA 7,68%, quando se analisa os maiores bancos o valor é ainda maior.
Além disso, é importante destacar que o ano de 2014 foi de estagnação econômica, marcado por arrefecimento no consumo, aumento de inadimplência e perda de dinamismo no mercado de trabalho e, mesmo assim, o setor bancário conseguiu apresentar números de desempenho impressionantes, destoando dos demais setores da economia.
As explicações para este fenômeno podem ser diversas, tais como elevadas taxas de juros, alta concentração, spread elevado, altas tarifas, corte de custos, competência gerencial, inovações tecnológicas... Todavia, quaisquer que sejam as explicações, o setor bancário “nada de braçada” na estagnada economia brasileira.