A letárgica estagnação econômica do Brasil está demonstrada em números espantosos que retratam cenário muito diferente daquele representado durante a campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff. Desde o começo do ano, temos acompanhado por meio de estatísticas o crescimento pífio, aumento das taxas de desemprego e alta da inflação. Infelizmente, as perspectivas ainda não são das melhores. O Governo Federal tenta a todo custo aprovar as medidas de ajuste fiscal, que incluem a alteração em benefícios trabalhistas, apontadas como única alternativa para equilibrar as contas públicas. O trabalho agora foca, portanto, na articulação política para garantir apoio nas votações no Legislativo. Entretanto, parecem ainda mais invisíveis e distantes os sinais de reação. Isso porque, além da instabilidade financeira, o atual Governo vivencia grave crise política.
A imagem de Dilma está bastante desgastada, como comprovado em recentes pesquisas. Na semana passada, levantamento do CNI-Ibope mostrou que 64% da população considera o governo ruim ou péssimo e 74% diz não confiar na presidente. No próximo domingo, os brasileiros indignados voltam às ruas para protestar contra o atual Governo. A insatisfação tem um peso enorme: o caos na economia, os recentes escândalos de corrupção e as ilusões propagadas durante as eleições. Muitos brasileiros vão às ruas protestar porque se sentiram lubridiados com falsas perspectivas financeiras e sentem o impacto da enganação no bolso. Estão pagando mais caro pelo combustível, pela energia, pelos alimentos e diversos outros produtos que dependem diretamente dessa cadeia. Ninguém quer, neste momento, saber de desculpas. Não basta tentar culpar a crise internacional, pois as falhas de gestão não podem ser mais mascaradas.
A inflação é apenas um dos termômetros do descontrole financeiro. O percentual fechou em 1,25% no mês passado, segundo o Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG), o maior para o período nos últimos 12 anos. A inflação acumulada está em 8,08%, muito acima do topo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o período 2015, que é de 6,5%. Levantamento do site de relacionamento entre consumidores e empresa Reclame Aqui mostra que, para 37% dos entrevistados, a expectativa é que a sua situação financeira piore em 2015. O pessimismo justifica-se pelo despreparo e descrédito do Governo. A consequência inevitável neste momento é a redução nas compras, o que prejudica o comércio em geral, as indústrias e o mercado de trabalho.
Muitas famílias enfrentam hoje os deletérios reflexos da política econômica equivocada, que priorizava o estímulo ao consumo, de forma descontrolada. As dívidas dos campo-grandenses cresceram 70% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o ano passado. Agora, será preciso arcar com as pendências antigas, os juros e ainda arcar com os aumentos decorrentes de altos custos da irresponsabilidade administrativa. Todos esses fatores comprovam e ajudam a dimensionar as crises política e econômica, desgastando ainda mais a imagem da presidente Dilma.