Artigos e Opinião

ARTIGO

''O magnífico desenvolvimento de nano-ferramentas''

Octavio Luiz Franco - Coordenador do S-Inova, Professor do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia da Universidade Católica Dom Bosco.

Redação

08/04/2015 - 00h01

Normalmente é fácil acreditar no que se vê, mas difícil imaginar o imperceptível aos nossos olhos. Na década de 80, um filme de grande sucesso hollywoodiano chamado “Querida encolhi as crianças” levou milhares de pessoas a se maravilharem com o a ideia de como viveríamos se fossemos realmente pequenos. Formigas gigantes e ratos monstruosos demonstravam que o encolhimento poderia levar a grandes problemas. 

Embora o filme tenha sido apenas uma comédia infantil, o mesmo criava para os espectadores mais atentos e curiosos uma nova percepção, levando a uma maneira diferente de ver o mundo. Agora imaginem não ficar apenas do tamanho de uma formiga, mas encolher muito mais, reduzindo uma pessoa ao tamanho de células ou mesmo moléculas. Neste caso não conseguiríamos nem enxergar uma formiga pois esta seria imensa aos nossos olhos. Veríamos desta forma moléculas de proteínas e açúcares flutuantes reagindo de inúmeras maneiras a nossa presença e entre elas mesmas. Mesmos sendo dificílimo criar esta imagem a Salvador Dali, ela notoriamente é real e consiste no nano-universo, hoje profundamente explorado por cientistas conhecidos como nanotecnólogos. 

A nanotecnologia versa a ciência que estuda sistemas em escala manométrica, onde observam-se estruturas muito pequenas, próximas a 1 x 10-9 m ou a um bilionésimo de metro. Uma vez que o olho nu não detecta nada tão pequeno, são necessárias técnicas e equipamentos de alta precisão como as microscopias eletrônicas e de força atômica para analisar em detalhes estruturas que há alguns anos atrás nem conseguíamos imaginar. Mas como usar este conhecimento para o benefício da população e não apenas matar a curiosidade humana?

Uma análise detalhada de tecidos e materiais para construção permite aos pesquisadores entender e posteriormente melhorar tais produtos, tornando-os por exemplo mais resistentes e flexíveis. Desta forma os novos materiais poderiam resistir por muito mais tempo ao desgaste do uso e intempéries do ambiente. Além disso nanomateriais funcionais e inteligentes também vêm sendo desenvolvidos.

Grupos de pesquisa têm criado nanofibras inteligentes que melhoram o aquecimento sem aumentar o diâmetro, diminuindo o peso e o desconforto. Coletes a prova de bala super-leves e ultra-resistentes tem sido gerados a partir de nanofibras provenientes de proteínas de teia de aranha. A área de biomedicina também tem sido privilegiada no quesito nano-desenvolvimento.

Neste caso nanofibras feitas de antibióticos para produção de gazes e band-aids têm sido geradas afim de proteger ferimentos e evitar infecções. Além disso o uso de estruturas acopladas a moléculas terapêuticas em escala nanométrica tem apresentado um impacto significativo para medicina terapêutica. Como exemplo podemos citar cateteres anti-infectivos que evitam por si só contaminações por bactérias e fungos ou estruturas feitas com nano-materiais que diminuem a resposta imune, reduzindo o risco de rejeição a pacientes que passaram por transplantes ou implantes.

Em um futuro próximo notoriamente será possível o desenvolvimento de pequenos construtos como nano-robôs através da nanoengenharia, que poderão auxiliar em cirurgias neurológicas de enorme precisão ou mesmo pequenos artefatos que quando injetados na corrente sanguínea auxiliarão na correção de fissuras em artérias, veias e ossos. Embora um futuro brilhante se descortine sob a nanotecnologia com possibilidades inimagináveis, a legislação mundial sobre este fantástico campo científico ainda é confusa, sendo necessárias leis que possam reger o seu uso e desenvolvimento com segurança e sabedoria.  A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.

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