Artigos e Opinião

CORREIO DO ESTADO

Editorial deste domingo: ''Efeito cascata"

Editorial deste domingo: ''Efeito cascata"

Redação

12/04/2015 - 00h00

O problema, em todos os casos, é a consequência para o setor do transporte: a perda de clientes,  queda nos lucros e desemprego

O ano de 2015 não tem sido fácil para os brasileiros. A população está sentindo os efeitos da equivocada política econômica do governo federal, que já apontava decréscimo no crescimento desde o ano anterior. Esta semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou a previsão de contração da economia no País de 1%. O relatório de janeiro do FMI havia reduzido drasticamente a projeção de crescimento do Brasil, com cálculo de alta de apenas 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB), estimativa 1,1 ponto percentual menor que a do último relatório, divulgado em outubro de 2014. Evidentemente, o desempenho também é afetado pelo mercado mundial, com taxa de alta projetada em 3,5% para 2015, queda de 0,3 ponto percentual na previsão anterior

Para muitas pessoas, os índices são difíceis de entender, mas são facilmente traduzíveis no cotidiano de todos. Exemplo muito claro é o da reportagem de hoje do Correio do Estado, que mostra a queda, em média, de 25% nos ganhos de trabalhadores do setor de transporte. Os taxistas em Campo Grande estavam com a tabela de preços defasada havia três anos e, em setembro de 2014, conseguiram corrigir os valores em 16,73%. Porém, a categoria viu o percentual virar pó ante aos sucessivos aumentos dos combustíveis e de outros itens, como pneus e serviços de manutenção. A mesma situação dos mototaxistas que também corrigiram a defasagem dos custos, mas que não impediu a queda nos lucros, já que a atualização não acompanhou o aumento nos gastos. Nos dois casos, o reajuste ao consumidor depende de negociação com a Executivo, sendo feita uma vez ao ano.

Para os trabalhadores do transporte escolar, o reflexo destes custos já foi repassado aos clientes, com alta de 10% feita por alguns profissionais. O problema, em todos os casos, é a consequência para o setor: a perda de clientes,  queda nos lucros e desemprego. O sindicato do transporte de cargas estima as empresas do segmento reduziram em 20% o quadro de trabalhadores desde o início do ano. Os motoristas do transporte escolar ainda sofrem com a entrada dos clandestinos no setor, o que também é um risco aos usuários do sistema.

A expectativa, segundo empresários, é que o impacto possa ser minimizado com a prometida redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o óleo diesel, uma promessa do governo estadual que ainda não se concretizou e que, agora, está sob análise do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sinpetro). A previsão é que até o fim de abril este estudo esteja pronto, o que não significa que a resolução seja tomada prontamente. O impasse carece de decisão do governo do Estado. 

O setor de transporte é parte do cenário que fez com que Campo Grande atingisse a inflação de 1,79% em março, a segunda maior no ranking das capitais calculadas com base no  Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Para abril, a estimativa é de novo recorde inflacionário, perspectiva já divulgada pelos economistas. A população nem precisa ser expert em números para ter noção dos efeitos que estes índices já estão fazendo no bolso.

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