Com o estouro do “Caso Petrobras”, em que integrantes do alto escalão do Partido dos Trabalhadores e políticos de partidos aliados do Governo Central desviaram bilhões de reais da estatal brasileira, parcela da população tem defendido o impeachment da senhora Dilma Roussef.
Reconheço que o assunto é polêmico e, com o reconhecimento do Ministério Público Federal de que não existem indícios da participação da Presidente da República na prática dos atos ímprobos e criminosos, o afastamento se tornou uma utopia.
Assim como ocorreu no passado, políticos respeitados, integrantes de partidos de oposição manifestaram-se contrários à cassação do mandato da Presidente da República.
Cláudio Humberto, em sua coluna diária (@colunach), disse: “A fala do ex-presidente FHC de que ‘não é hora de afastar Dilma’, foi motivo de desconforto na bancada do PSDB na Câmara. O partido está dividido sobre defender publicamente o impeachment da presidente”.
Segundo noticiado em veículo de comunicação, Aloysio Nunes Ferreira, filiado ao PSDB, disse: “Não quero que ela saia, quero sangrar a Dilma, não quero que o Brasil seja presidido pelo Michel Temer”.
A estratégia de “sangrar a Dilma” é equivocada, porquanto, como ocorreu no passado, durante o primeiro mandato do ex-presidente Lula, a presidente Dilma Roussef ganhará fôlego e, ao contrário do que pensam os adversários, fará o padrinho, novamente, presidente do Brasil, enterrando, de uma vez por todas, a esperança do PSDB em galgar a presidência da república.
Como sustentado por Tereza Cruvinel, o “PSDB já apostou no sangramento e perdeu”. Segundo a colunista: “A experiência ensina que a arte de sangrar presidentes não é simples. Depende da capacidade de defesa e reação do animal condenado. Pode dar certo mas o PSDB perdeu quando fez esta aposta em 2005. A mesma frase – ‘vamos deixar Lula sangrar’ – foi utilizada por tucanos e pefelistas (hoje demistas) em agosto daquele ano. Muitos a pronunciaram e estão registradas. O ex-senador Jorge Bornhausem foi o porta-voz do resultado de uma reunião ocorrida na liderança do PSDB no Senado, depois do depoimento de Duda Mendonça à CPI dos Correios, admitindo que recebeu pagamentos de dívidas do PT através de Marcos Valério. Nessa reunião desistiram de patrocinar o impeachment de Lula. Ainda que conseguissem formular a condição jurídica a partir das confissões de Duda, faltavam as condições políticas. Dois atos pelo afastamento do presidente haviam sido chamados, um no Rio e outro em Brasília, reunindo meros 20 gatos pingados.
Do outro lado da rua, Lula também reagia. Havia avisado que não se mataria como Getúlio, não renunciaria como Jânio e nem seria deposto como Jango. Não falou no impeachment de Collor, evitando cutucar o Congresso. Chamou líderes sindicais para uma reunião e pediu que estivessem prontos para ir para as ruas travar a resistência, ‘indo de casa em casa’ se fosse preciso. Não foi.
A CPI acabou, detonou o PT, veio a denúncia do procurador-geral Antônio Fernando. A popularidade de Lula chegou a menos de 50% no final do ano, quando as pesquisas diziam que ele seria batido pelo tucano José Serra. Ele recompôs sua base e seu governo, nele incluindo o PMDB, agora parceiro oficial. Em janeiro ele começou a se recuperar. A economia deu sinais de crescimento e o governo acelerou suas políticas sociais. Foi reeleito em segundo turno”.
As movimentações do ex-presidente deixam claro que será candidato nas eleições de 2018 e, com absoluta certeza – para a tristeza dos cidadãos deste país, que pagam religiosamente os seus tributos – assumirá, novamente, a cadeira de Presidente da República para dar continuidade ao bolivarianismo, deixando os adversários “mamando o dedo”.
A história se repete.