As investigações para desmascarar quadrilhas de traficantes e contrabandistas estão cada vez mais escassas. Limitam-se a apreensões e depois não sabemos mais das investigações
Há um vergonhoso contrassenso entre os investimentos em segurança, principalmente na região fronteiriça, e a atuação de organizações criminosas que não encontram tantos obstáculos para trazer drogas ou produtos contrabandeados aos estados brasileiros. Não há dúvidas sobre a fragilidade da fiscalização, o que decorre, obviamente, da falta de investimento em policiamento, principalmente pelo governo federal. Foram lançados os planos de Gestão Estratégia, Gabinete de Gestão Integrada e diversos outros programas com intuito de “barrar” a entrada de produtos ilícitos. Entretanto, tivemos poucos avanços até agora.
Ontem mesmo, durante reunião, policiais federais cobraram mais autonomia e dinheiro, voltando a defender a aprovação pela Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 412/09). O foco foi cobrar mais investimentos para apurar os casos de corrupção, propondo até a criação de uma delegacia especializada. A discussão foi baseada em pauta nacional, com esse mesmo enfoque. Certamente, temos acompanhado os resultados positivos das investigações, que resultaram nas prisões de diversos políticos e empresários envolvidos em desvios de bilhões em recursos públicos. Desde o ano passado, por exemplo, novos desdobramentos nos mostram o gigantesco escândalo que ocorria na Petrobras.
Todas essas denúncias corroboram para investimentos nesta área, mas é preciso verificar se a Polícia Federal não vem, em algumas ocasiões, deixando de dar a devida importância para outros crimes, que também fazem parte de suas atribuições e prejudicam os cidadãos brasileiros. Hoje, as investigações para desmascarar quadrilhas de traficantes e contrabandistas estão cada vez mais escassas. Limitam-se a apreensões e depois não sabemos mais dos desdobramentos das investigações. No dia 25 de fevereiro deste ano, foi apreendida 1,4 tonelada de cocaína em Corumbá. A carga estava em uma carreta com placa de São Paulo. As prisões ficaram restritas ao dono do depósito e ao motorista da carreta. Não sabemos, por enquanto, nada sobre os verdadeiros donos da carga. O mesmo ocorre com outros grandes flagrantes feitos no fim do ano passado, quando cerca de 700 quilos de cocaína foram apreendidos em duas ocasiões distintas. Numa delas, o entorpecente estava em uma carreta destinada a combustível e, na outra, a carregamento de minério de ferro.
Precisamos que as investigações sejam aprimoradas também para desmascarar esses criminosos. A entrada de drogas no País causa efeitos devastadores nas áreas da saúde e segurança. Contrabando e descaminho impactam na nossa economia, tirando até mesmo as chances de competitividade dos empresários brasileiros. Temos, portanto, efeitos danosos que precisam ser priorizados junto do combate à corrupção, principalmente, considerando peculiaridades regionais, a exemplo da fronteira de Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia. O governo federal precisa cumprir com sua obrigação e ampliar os investimentos, mas não é aceitável que setores importantes, a exemplo da fronteira, acabem comprometidos.