Artigos e Opinião

ARTIGO

"Currículo escolar: uma discussão necessária"

Professora da Educação Básica, Mestre em Educação pela UFMS, Especialista em Coordenação do Trabalho Pedagógico na Escola.

Redação

17/04/2015 - 00h00

Em recente entrevista, o atual Ministro da Educação, filósofo Renato Janine Ribeiro, destacou que “Enquanto os parlamentares desperdiçam tempo e energia com temas sem relevância, os estudantes brasileiros passam pela escola sem aprender o conteúdo essencial para sua vida, ou seja, o bom e velho português, a matemática, as ciências e história.”

A partir desta colocação faz-se necessário iniciar, mesmo que breve, uma discussão sobre o currículo escolar, sendo este, uma das principais questões para modificar a atual situação do ensino no Brasil. Nessa linha de raciocínio, ressaltamos que os teóricos do campo do currículo, a partir de uma concepção crítica trazem importantes posicionamentos quanto à forma com que os currículos escolares vêm sendo pensados e elaborados com o fim de oportunizar ao aluno, seja nas escolas de educação básica ou nas universidades, um conhecimento que de fato, faça-os compreender criticamente a sociedade da qual fazem parte. 

Com embasamento em Michael Young, principal representante da sociologia do currículo, tal conhecimento deve oportunizar explicações confiáveis ou formas inovadoras de pensar sobre o mundo. Para o sociólogo britânico este tipo de conhecimento denomina-se ‘poderoso’, e não há como ser adquirido em casa ou na comunidade.  Isso implica dizer que é na escola, e pela escola que ocorre a sua apropriação. Desse modo, ressaltamos a necessidade, de, ao elaborar uma diretriz curricular, pensar quais conhecimentos devem ser inseridos, de forma que os alunos aprendam o que não é propiciado por meio de suas vivências cotidianas. 

A concepção crítica de currículo questiona os motivos pelos quais alguns conhecimentos são selecionados e outros não. Importa destacar que os conhecimentos selecionados evidenciam as concepções de educação adotadas, sustentando a visão social de mundo de uma determinada classe social, que legitima seu conhecimento em detrimento do de outra. Sendo assim, quando identificamos a concepção de educação, assim como quais conhecimentos foram selecionados para fazer parte de um currículo, além de analisar a forma como foram distribuídos e organizados, em textos curriculares, é possível identificar que tipo de formação é oferecido aos alunos.  

Por fim, pelos limites desta exposição, apenas iniciamos uma discussão sobre a importância de se pensar o currículo, sendo este, na visão de Young, o conceito mais importante que surgiu no campo dos estudos educacionais. Torna-se urgente pensá-lo para além de questões procedimentais e metodológicas. E, isto, sem dúvida, deve ser considerado, tanto pelos docentes, quanto pelos elaboradores de currículos seja em âmbito nacional, estadual ou municipal.

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