As lições, porém, costumam ser aprendidas tardiamente, “na marra”. A mudança
de comportamento pela população e o apoio do poder público não podem continuar esperando.
Prevenção. Sem dúvida, poderíamos evitar uma série de transtornos caso essa palavra fosse colocada em prática mais vezes. Hoje temos mais um exemplo em que a negligência acabou resultando em prejuízos. Mato Grosso do Sul volta a registrar casos de raiva humana, algo que não ocorria desde 1994. O paciente, de 38 anos, está internado no Hospital Universitário de Campo Grande, para onde foi transferido depois de ser diagnosticado com a doença. Ele foi mordido por um cão de rua em Corumbá, cidade que vive surto de raiva animal neste ano. As vacinas precisam ser renovadas anualmente e, certamente, houve falha, seja pela necessidade de maior acompanhamento do poder público nas campanhas de imunização ou pelas deficiências da população, que nem sempre adotam os devidos cuidados com os animais de estimação.
O caso, portanto, serve de alerta e reflexão para diversas outras questões que acabam esquecidas ou proteladas. Na área da saúde, temos o exemplo da dengue e, mais recentemente, dos casos da febre chikungunya - ambos transmitidos pelo mesmo mosquito. As medidas de combate são bastante conhecidas, mas basta percorrer alguns bairros para encontrarmos materiais que acumulam água e o descaso que predomina até mesmo nos quintais de algumas residências. Nesta semana, a prefeitura lançou mutirão de limpeza que chegará a todos os bairros de Campo Grande. Está cumprindo sua obrigação, mas precisará, sem dúvida, contar com a colaboração dos moradores para que não tenhamos de vivenciar novamente uma epidemia da doença. Em todo o Estado, os números nos dão o sinal de alerta: já são 13 mil casos notificados somente neste ano.
Além da área da saúde, há necessidade também de manter a vigilância e prevenção em outras áreas, a exemplo da segurança pública ou do trânsito. Reportagem publicada na edição de hoje mostra queda de 45% nos acidentes na BR-163, depois que começaram as mudanças para duplicação e outras melhorias. A via - mais movimentada do Estado e também campeã de mortes - foi privatizada e transformou-se em “canteiro de obras”, com intervenções em diferentes trechos. Começamos, portanto, a acompanhar a mudança de um estigma que parecia impossível: evitar que a 163 continue a ser conhecida como “rodovia da morte”. O asfalto destoa totalmente de outras estradas, a exemplo da BR-060 ou da BR-262, o que evidencia a necessidade de estender esses mesmos cuidados a outras vias. Até mesmo no trânsito da Capital, tivemos alterações que contribuíram para queda de até 65% nas mortes.
Os exemplos elencados acima nos mostram que, muitas vezes, a participação do poder público é indispensável para acender o alerta. As lições, porém, costumam ser aprendidas tardiamente, “na marra”. A mudança de comportamento pela população e o apoio do poder público não podem continuar esperando determinada doença fugir de controle, o número de vítimas no trânsito aumentar, a criminalidade dominar ou a enxurrada invadir residências. Por isso, é indispensável resgatar e colocar em prática a prevenção, antecipando os acontecimentos previsíveis com mais planejamento e organização, apanágios esquecidos por muitos.