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Octavio Luiz Franco: "Construindo maravilhas com a impressora 3D"

Coordenador do S-Inova, Professor do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia da Universidade Católica Dom Bosco.

Redação

26/04/2015 - 00h00

Afim de vislumbrar como eram as paisagens europeias há meio século atrás, temos que imaginar através de pinturas renascentistas e impressionistas as cores e formas produzidas. No caso de textos, podemos ler o trabalho de copistas egípcios e romanos, que transmitiram incessantemente, papiro a papiro, as informações de escrituras exclusivas e únicas. 

Com o passar do tempo, a escrita evoluiu e a mão foi lentamente substituída por máquinas. Assim há algumas décadas atrás era possível encontrar na maioria das casas as famigeradas máquinas de escrever. Estes pesados engenhos tornavam possível a padronização da escrita em documentos importantes, evitando garranchos esdrúxulos e grafias ilegíveis. Entretanto, para utilizar eficientemente uma máquina de escrever, paciência, perseverança e uma grande quantidade de corretivo eram necessárias. 

Na década de 90, estas máquinas foram aposentadas, dando lugar a computadores acoplados a impressoras que passavam a informação da tela ao papel. No início as barulhentas impressoras matriciais produziam textos monocromáticos. Estas impressoras foram pouco a pouco sendo substituídas pelas silenciosas e eficientes impressoras à jato de tinta e laser, que aumentaram a definição e o número de cores nas imagens impressas. 

Anos mais tarde surgiu a impressora 3D. Criada na década de 80 nos EUA por Charles Hull, esta tecnologia batizada de estereolitografia, tem se popularizado. Embora extremamente cara inicialmente, esta tecnologia vem sendo barateada dia a dia, podendo chegar ao consumidor por preços cada vez mais atrativos e sendo usada para criar praticamente qualquer objeto. Em resumo, a impressão 3D objetiva a produção de um artefato com profundidade e volume. A estratégia convencional incide na sobreposição de múltiplas lâminas de polímeros, as quais são unidas por meio de um cartucho especial de cola e talhadas em locais específicos atribuindo a forma e cor final. 

Um método mais moderno e veloz consiste na aplicação de um material em pó usando um cartucho de impressão, que é colado de forma seletiva por um segundo cartucho contendo material adesivo. Uma terceira tecnologia utiliza materiais sólidos derretidos até o ponto de injeção sendo aplicados em método similar ao descrito anteriormente sem a necessidade de cola ou adesivo. Desta forma usando tais técnicas, pessoas em todo o mundo tem criado maravilhas com impressoras 3D. 

Há poucos anos atrás a empresa 3D Robotec criou o primeiro carro impresso peça por peça. A companhia 3D Shape utiliza impressoras 3D para criar estruturas usadas na construção de casas populares baratas e abrigos humanitários para sobreviventes de catástrofes, utilizando areia e cola de magnésio. Esta semana a conceituada revista Nature publicou as fotos de um novo chocolate produzido com uma impressora 3D, mesclando a combinação balanceada de ingredientes em um globo terrestre em alta definição. Mas quando pensamos em impressão 3D não devemos pensar apenas no macro, mas com certeza deveremos olhar também para o micro-universo. Vários grupos de pesquisa por todo o mundo têm utilizado esta tecnologia para imprimir próteses, ossos e órgãos, utilizando como matéria prima células do próprio paciente com o objetivo de diminuir as longas filas de transplante. Os mais futuristas já imaginam utilizar nano-impressoras 3D para produzir moléculas ou átomos, gerando por exemplo vacinas e remédios. 

Quão fantástico será recebermos uma prescrição médica, digitarmos a fórmula em nosso computador e imediatamente termos o medicamento em nossas mãos. Um mundo fantástico de impressão nos aguarda nos próximos anos. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.

 

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