Faltou “barulho” suficiente para reagir aos equívocos da política econômica e tentar corrigir as falhas antes que fosse tarde demais
O cenário de estagnação da economia resultou em consequência que já parecia praticamente inevitável: 30% das indústrias de Mato Grosso do Sul planejam demissões nos próximos seis meses. Há dez meses, não há crescimento na produção. Os dados constam na Sondagem Industrial, divulgada ontem pela Fiems. Preocupam ainda mais considerando a conjuntura de crise financeira, aumento de produtos e demissões em diversos setores. Em todo o Estado, no mês de março, foram criadas apenas 48 vagas de empregos, pior saldo dos últimos 12 anos, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os números de hoje já avançam para patamar desolador, pois não há qualquer sinalização de perspectivas melhores. O crescimento continua pífio, a inflação alta, os reajustes salariais devem ficar abaixo do esperado e o Governo Federal ainda patina para tentar aprovar os ajustes fiscais, que até agora parecem ser a única salvação planejada. Com tantos obstáculos, a credibilidade nas finanças brasileiras ainda não foi recuperada e, por isso, os investimentos não foram recuperados.
Os sinais de alerta começaram ainda no ano passado, como mostram os próprios números divulgados pela Fiems ou demais demonstrativos financeiros. Entretanto, as reações ainda demoraram a surgir. Até agora, não temos mobilização suficiente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) para tentar reverter o cenário de derrocada das finanças que atinge em cheio os empresários. Limitaram-se a reuniões, organizadas com representantes de outras entidades do setor produtivo, para reivindicar junto ao governador Reinaldo Azambuja a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 17% para 12% sobre a tarifa de energia elétrica durante a bandeira tarifária vermelha. Considerando todos os aumentos, a energia subiu quase 30% no Estado (superando os 48% para as indústrias), sendo esse fator decisivo para comprometer o crescimento de diferentes empresas.
Sem dúvidas, essa mobilização demorou a ocorrer e faltou “barulho” suficiente para reagir aos equívocos da política econômica e tentar corrigir as falhas antes que fosse tarde demais. Os questionamentos foram insuficientes - poderiam ter ocorrido mais protestos e detalhamento mais preciso sobre o caos que poderia ocorrer no segmento que tem significativa contribuição na receita do Estado. Agora, infelizmente, o silêncio e apatia podem se tornar mortal. Senadores, deputados federais e estaduais devem ser acionados para que também se envolvam nesse enfrentamento às dificuldades financeiras. As cobranças não podem ficar limitadas a meras reuniões que culminam na espera interminável por resultados que nunca se concretizam. O momento de crise deve servir para que as entidades representativas de determinado segmento trabalhem unidas pelo fortalecimento e, assim, lutem para evitar cenários desesperados como o atual.
Os sucessivos resultados comprometedores das finanças demonstram também o tamanho da dificuldade para reveter os dados negativos. Por isso, precisamos de mobilização constante que a reação não ocorra apenas tardiamente.