O Partido dos Trabalhadores tem passado por sérias crises em grandes acusações de corrupção, muitos dirigentes condenados a prisão e a devolver valores desviados dos cofres públicos. No entanto continua forte não perdendo filiados, tendo em média 10% de todos os filiados a partido político no Brasil. Qual é a razão disso? Será que existe uma mágica alucinante? Hipnose? A maioria dos filiados não raciocina? Não vejo por este lado.
Enquanto os outros partidos, após a reforma partidária do general Golbery do Couto e Silva, em 1979, continuaram com o mesmo padrão arcaico e conservador, com sua direção esnobe e elitista, o PT abriu as portas para as minorias, que não tinham voz em lugar algum, e eram alijadas da participação na vida política. Aliás, no Brasil, dado que no Império só participava do Congresso quem tinha título de nobreza e grande patrimônio, criou-se a ideia de que política é só para os ricaços e os pobres (a plebe) não tem direito a nada, a não ser reclamar nos bares da cidade (“vocês que são brancos que se entendam”).
Ao inserir as minorias (movimentos pela afirmação dos negros, índios, gays, etc) em suas fileiras, o PT diversificou o debate, passando a não ser um partido que só discutia entre seus caciques quem iria ocupar o alto cargo no poder, quem seria candidato, ou, filho de quem iria ter um cargo fantasma, fato que a maioria dos partidos até hoje fazem sem dar a mínima para os seus eleitores e as promessas de palanque (“farinha pouca, meu pirão primeiro”).
O grupo seleto de seus fundadores, a maioria, exilados e presos no regime militar, sempre uniforme no discurso, muitos originários do movimento sindical e das salas de aulas, tiveram a brilhante ideia de colocar todos os filiados debatendo, o que fez o “petista” se sentir parte atuante no partido, se sentir importante, e abraçar o partido defendendo seus lideres como fossem mitos e deuses, inclusive contribuindo com dinheiro do bolso. Assim surgiram as “Plenárias” e o PT foi “apelidado” de “partido das reuniões” (“a voz do povo é a voz de Deus”).
Pergunto: qual outro partido no Brasil que leva todos os debates aos seus filiados? Que eu saiba, nenhum. A maioria é um grupinho que fica no poder e, quando questionados, procuram “passar a rasteira” nos próprios companheiros de partido, quando não, ignoram os próprios companheiros, menosprezam as ideias e as opiniões dos filiados, com medo de perder o frágil poder. Assim, em sua maioria, os membros destes partidos quando percebem que estão sendo usados, procuram outra agremiação ou se desiludem da política (“em terra de cego, quem tem um olho é rei).
Além destes fatos, como todas as “tribos” estavam presentes nas “plenárias” e eram ouvidas e toleradas e, até, colocado como política partidária as “teses” (como por exemplo o “casamento gay” proposto pela então deputada Marta Suplicy), fez com estes filiados vivessem pertos entre si e criassem vínculos de amizades que se misturou com a própria trajetória do partido, solidificando o vínculo em nível familiar – churrasquinhos de fim de semana, passeios juntos, convivência próxima, etc (“diga com quem tu andas, que direi quem és”).
Assim, nos dias de hoje, por mais que falem que seus dirigentes são corruptos e provado o desvio de dinheiro público, a amizade e a identidade de “partido família” fala mais alto, e está presente em todo o partido dos trabalhadores. Se analisarmos que quando comprovado a corrupção no governo federal, seus grandes lideres ao invés de tomarem atitudes de expulsar o “companheiro” passam ao ataque e a desonrar o delegado de polícia, o juiz, a justiça, a oposição e tudo o mais, observamos que seus filiados recebem estas acusações como fosse a um membro da família, e “família é sagrada” na visão do brasileiro (pensamento da nobreza portuguesa ao meu ver).
O que resta? Enquanto os outros partidos forem frágeis em sua formação e na participação dos filiados nos debates, o PT será forte. (“nós não aceitamos difamações contra companheiros” – Lula)