Não é possível nem mesmo dimensionar por quanto tempo ainda teremos que ser pacientes, pois prazos de obras viraram sinônimo de ilusões.
O atual quadro econômico brasileiro - com inflação alta, desemprego e queda nas receitas - impõe sacrifícios aos brasileiros. Além dos impasses e insatisfações com o reajuste salarial, que deveria ser concedido agora em maio, é preciso conviver com a paralisação de obras importantes que poderiam auxiliar a atender necessidades básicas da população e até ajudar para o desenvolvimento de determinadas regiões. Em Mato Grosso do Sul, construções de escolas, Centros de Educação Infantil (Ceinfs) e postos de saúde foram suspensos com a justificativa de que os recursos não estão sendo repassados pelo Governo Federal. Os cortes começaram há cerca de dois meses e hoje não é possível ter certeza sobre a continuidade de vários investimentos. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), outrora anunciado com ênfase pelo Governo, está marcado pelo abandono e até mesmo pelo descrédito, pois muitos dos recursos não passam de empréstimos nos mesmos moldes que já eram concedidos por outras gestões.
O desafio é imenso. A edição de hoje do Correio do Estado traz reportagem com balanço das obras pendentes depois que os repasses não foram mais feitos. Ainda, o secretário executivo do Ministério dos Transportes, Edson Giroto, fala da tentativa de conciliar as obras de infraestrutura, que representam o crescimento do País, com as medidas necessárias para ajustar as finanças. Patinamos nos investimentos em logística, o que impossibilita avanços para aumentar a competitividade de Mato Grosso do Sul em relação a outros estados brasileiros. Hoje, o escoamento da produção depende basicamente das rodovias e, para piorar, o Estado foi excluído dos repasses bilionários de programa para investir em portos, que tinham sido anunciado pelo Governo Federal há cerca de um ano. A exclusão já ocorre é recorrente. Um dos investimentos mais significativos acabou ficando sob responsabilidade da iniciativa privada, com as obras de duplicação que estão sendo executadas na BR-163 em virtude da concessão por 30 anos. O mesmo poderá ocorrer com as BRs 262 e 267, duas das principais vias do Estado.
Quando está em questão a verba pública, elos indicativos das finanças, muitos planos terão de ser adiados por mais que haja o esforço do Governo Federal em conciliar a previsão de investimentos considerados prioritários com os ajustes econômicos essenciais para garantir a “sobrevivência” nesse período de instabilidade. Além das obras elencadas acima, que afetam diretamente o cotidiano da população, há outras construções pendentes e cujos prazos de conclusão transformaram-se em incógnita. Nesta lista, estão Centro de Belas Artes, Hospital do Trauma e, mais recentemente, a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN), executada com recurso da Petrobras, em Três Lagoas.
O cenário local reproduz problemas de todo Brasil eas tentativas de correções por meio do ajuste fiscal não parecem suficientes. Afinal, não dá para consertar tão rapidamente os equívocos que foram mascarados e anos de desleixo com o dinheiro público. Não é possível nem mesmo dimensionar por quanto tempo ainda teremos que ser pacientes, pois prazos de obras viraram sinônimo de ilusões.