Enquanto o cassetete da polícia batia duro e doído nos professores em protesto na Assembleia Legislativa do Paraná, em outras partes do Brasil um estopim, ainda escondido, se abastece de novos combustíveis pronto para ser detonado. O nosso problema ético não é de hoje. Nossas questões que estão no cerne de todo o mal que vitima uma população inteira nasceram nos processos de colonização do Brasil e se firmaram graças a ajuda de um domínio que não enxerga nada além de sua própria riqueza.
O sucesso de toda colonização, da instalação de um império, de implantação de uma ditadura, da predominância de um domínio, dependem da obediência civil. O pensamento em almas indignadas é uma afronta que desafia as estruturas de qualquer poder. Sempre foi assim, antes mesmo da humanidade se reunir ao redor das primeiras fogueiras. Não que o exercício do “pensamento” seja algo exclusivo do universo acadêmico. Não. Esse pensamento está no espírito, de certa forma, libertador, daqueles que pensam as coisas como eram antes, como estão sendo e como serão, ou então, como poderiam ser hoje e amanhã. Esse pensamento está também na intuição, daquele que percebe as segundas intenções escondidas nas ações do outro. Todo esse “pensamento” do outro lado, para quem cultiva a obediência entre os dominados, é como uma vacina a “cortar” o veneno paralisante de seus desejos. Quais as armas dos que dominam, para não deixar criar as insurreições nos insatisfeitos? Um pouco de tudo. Primeiro vendem ilusões, com a promessa de que o sacrifício de hoje será recompensado no amanhã.
Depois, tentam dar o entretenimento para desviar atenções. Se não for suficiente, tentam comprar esses sujeitos. Essa compra e venda pode estar embutida na relação da venda do seu trabalho, de suas ideias, do trabalho de seu talento artístico. Não sendo isso suficiente, então usam da força coerciva do Estado para estancar as insatisfações. No complemento dessa estratégia, violentam o sagrado: exploram corpos, mutilam membros, aprisionam e expõem suas vítimas como troféus.
Terra arrasada, o caos instalado, eles se sobressaem de novo, repetindo os objetivos apenas aperfeiçoando os métodos. No cerne de tudo está a luta em busca do poder, seguida da manutenção desse poder. As vozes que se levantam são abafadas com os artefatos de guerra que alimentam as armas, por mãos de outras vítimas. Vítimas que tombam ensanguentadas, tão vítimas quanto aqueles que disparam. Enquanto isso, outras vítimas, alheias aos seus destinos, nas praças espalhadas pelos campos e cidades permanecem “dando milho aos pombos”.
Não há como fazer uma análise da situação econômica e social do país descolada da Educação. Sempre repetimos o discurso de que “só pela Educação mudaremos esse país”. Mas com qual Educação, de que forma, para quem e para quê?. O ato de Curitiba apenas expôs com o impacto proporcionado pela violência, o prenúncio de um caos instalado em todos os setores da sociedade, onde a educação foi o fio desencapado condutor de algumas indignações contidas.