O terremoto político e financeiro volta a abalar a cidade com novas denúncias
de irregularidades administrativas. Os moradores revivem dias de angústia
em razão das falhas de gestão.
A Câmara de Vereadores de Campo Grande repete o enredo de um filme que a população não gostaria de voltar a assistir. Menos de dois anos depois da cassação de Alcides Bernal, o prefeito Gilmar Olarte pode enfrentar Comissão Processante e ter o mandato cassado. O pedido foi protocolado ontem. O terremoto político e financeiro volta a abalar a cidade com novas denúncias de irregularidades administrativas. Os moradores revivem dias de angústia em razão das falhas de gestão. Sentem no dia a dia - e da forma mais difícil - o quanto pode custar caro um voto errado. Os discursos empolgantes da campanha eleitoral, pouco tempo depois, transformaram-se em decepção e, agora, o desastre administrativo parece não ter fim.
Professores da rede municipal entram em greve na segunda-feira, médicos já estão parados, apesar da determinação judicial para que retomem as atividades. Enfermeiros também avaliam suspender os trabalhos. Por mais que as reivindicações sejam justas, as greves não vão alterar em nada o problema da falta de dinheiro da prefeitura. E, para piorar, a população ainda acaba prejudicada, sem contar com serviços essenciais. Tudo isso porque os prefeitos e suas equipes não conseguiram controlar as finanças. Gastaram mais do que arrecadaram, chegando ao ponto de extrapolar o limite prudencial da folha de pagamento dos servidores, desobedecendo ao que estabelece a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Parece impossível conceder reajustes salariais quando a administração municipal demonstra não dar conta nem de pagar em dia os salários dos servidores. O pagamento referente a maio, por exemplo, pode sair com quase uma semana de atraso. Não bastasse a crise econômica nacional, temos problemas mais graves localmente. Essa irresponsabilidade no equilíbrio financeiro reflete-se para todos os campo-grandenses. Menos dinheiro circulando, menos vendas no comércio e, consequentemente, aumento na inadimplência.
Campo Grande, sem dúvida, merece gestores melhores e não podemos continuar tolerando que administradores não cumpram suas obrigações com a devida responsabilidade que o cargo exige. O momento de baderna - que volta a ser vivenciado em razão do pedido de nova Comissão Processante - também acaba marcado por disputas políticas, que jamais deveriam nortear condutas num momento tão crítico que a cidade está enfrentando. Pessoas são usadas como massa de manobra e, ontem, nem sabiam porque estavam nos manifestos contra Gilmar Olarte. Infelizmente, casos como esse tornam ainda mais duvidosas as chances de vermos as mudanças políticas que a sociedade realmente precisa. E, assim, os problemas decorrentes dos votos errados tendem a se repetir, no mesmo ciclo de malfeitos.
É preciso cautela para que o desastre administrativo não alcance proporções maiores e os campo-grandenses acabem sofrendo ainda mais com os equívocos de seus gestores. Ficam as lições para que nossas escolhas sejam mais bem pensadas, não sejamos iludidos e, assim, não tenhamos de vivenciar desastres e insegurança.