Fica complicado e até parece oportuno que alguns vereadores decidam declarar independência apenas quando o desastre ocorre e fica mais complicado tentar encontrar alguma solução
Entre as atribuições dos vereadores, está a de fiscalizar o Executivo e cobrar que sejam executados serviços que atendam aos interesses da população.Nesse momento, acompanhamos a Câmara de Vereadores de Campo Grande “empenhada” na CPI da Crise e na instauração da Comissão Processante, que pode culminar com a cassação do prefeito Gilmar Olarte em razão de irregularidades administrativas. Tudo indicaria, portanto, que os apanágios pertinentes às funções de nossos representantes estariam sendo devidamente cumpridos. A realidade, porém, evidencia que os interesses da população nem sempre aparecem como predominantes e norteadores de tais medidas drásticas. Na terça-feira, por trás da pressão popular – manifestada em plenário –, vários moradores não sabiam sequer o que estava sendo discutido na Casa de Leis e, muito menos, de que lado estavam.
Infelizmente, parece que os interesses políticos ainda guiam grande parte das ações em detrimento dos reais interesses da comunidade. É preciso união para atingir o mesmo foco: recuperar as finanças de Campo Grande e garantir que servidores tenham seus salários em dia, reajustes coerentes e, assim, os moradores voltem a contar com serviços essenciais que estão suspensos.
Sem objetivos definidos, a tendência natural é de perda da credibilidade ou risco de ainda mais prejuízos para a população. Para começar, não houve o devido zelo ao aprovar reajustes que ficaram como “herança” para gestões futuras – problema que ocorreu na prefeitura da Capital e no governo do Estado. Com o cenário financeiro conturbado nacional, a situação só foi se agravando.
Os alertas sobre os problemas econômicos na prefeitura vinham ocorrendo desde 2013, apontando que os gastos, principalmente com folha de pagamento, estavam aumentando em ritmo muito superior à receita. Parecia impossível evitar esse resultado diante das opções políticas, como não conceder reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), garantir que os aumentos salariais seriam concedidos e não promover medidas administrativas que poderiam corroborar para compensar esse rombo no caixa. Nomeações continuaram sendo feitas sem questionamentos e contratos foram reajustados com ajustes absurdos, a exemplo dos valores pagos à CG Solurb, responsável pela coleta de lixo e limpeza da cidade. Sem contar as irregularidades do tapa-buraco, em que as empresas ganham cada vez mais aditivos, mas não prestam serviço de qualidade porque os gestores não se preocupam em fiscalizar se o dinheiro público está sendo bem aplicado.
As manifestações não foram tão intensas na época em que os campo-grandenses estavam sendo lesados por essa má aplicação de recursos. O silêncio ainda paira sobre tais contratos. Fica complicado e até parece oportuno que alguns vereadores decidam declarar independência apenas quando o desastre ocorre e fica mais complicado tentar encontrar alguma solução. Entretanto, no momento de campanha eleitoral, certamente, voltam a depender das alianças e dos apoios. Não passa, portanto, da tentativa de desvincular sua própria imagem de todos os transtornos que a cidade está enfrentando, em decorrência dos problemas de gestão. Tardiamente, alguns decidiram exercer as cobranças e cumprir com o papel que já deveriam ter assumido.