Será o período crucial para que as administrações e os trabalhadores testem o poder de negociação e persuasão. O poder de barganha, infelizmente, é medido por meio dos contribuintes.
A semana será de provações para a população e embate entre governos e servidores das esferas federal, estadual e municipal. Em Campo Grande, os efeitos do descontentamento do funcionalismo público são sentidos desde que foi deflagrada a greve dos médicos da rede pública. Agora, as paralisações ganham adesão de outras categorias. Será o período crucial para que as administrações e os trabalhadores testem o poder de negociação e persuasão. O poder de barganha, infelizmente, é medido por meio dos contribuintes, usuários do sistema público, que estarão no meio da guerra.
Na Capital, a partir de hoje, entram em greve os professores da Rede Municipal de Ensino (Reme), atingindo diretamente 104 mil estudantes. No dia 27, ainda na Educação, foi votada, em assembleia, a paralisação dos professores e servidores do administrativo do Estado, deixando 270 mil sem aulas. Os docentes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul também engrossaram o coro dos descontentes e vão deliberar, no dia 26, sobre o indicativo de greve ou protesto para dia 29, o que também já foi acertado pelos técnicos administrativos da UFMS. A paralisação dos 3,3 mil funcionários compromete 60% das aulas na instituição. Os servidores da Justiça Federal e do Ministério Público Federal no Estado vão aderir ao movimento nacional, com protesto de 48 horas.
O movimento paratista em massa era uma bomba relógio, prestes a explodir, desde o começo do ano. Com o agravamento da crise econômica nacional, as prefeituras de todo o País sentiram o efeito. Em Campo Grande, ainda há o agravante de gestão equivocada, que ainda não acertou os ponteiros e patina em decisões paliativas, como a exoneração de apenas 232 comissionados, com economia prevista de R$ 1 milhão. O valor ainda estará aquém do corte de R$ 10 milhões, necessário para não atrasar a folha de pagamento paga em junho. O Executivo municipal, até abril, acumulava R$ 6,3 milhões na lista de gastos com 1.044 comissionados.
O governo do Estado e a prefeitura de Campo Grande adotaram o mesmo discurso desde que os levantes começaram: que não há dinheiro em caixa para conceder o reajuste. A administração estadual justificou que houve antecipação negociada na gestão anterior. Depois de grande pressão, concedeu aumento de 7,9% a 10 mil servidores que não haviam sido contemplados nesse acordo. Na prefeitura, mantém-se a posição de que a concessão de qualquer índice prejudica as contas. A despesa com pessoal representa 52,58% da Receita Corrente Líquida, acima do limite prudencial previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
As paralisações em cadeia apontam para o caos no sistema público. Há quem aposte que greve em massa pulveriza a força do protesto de cada categoria, por ser difícil para a população diferenciar as reivindicações de cada setor. O que não se pode é esperar para verificar quem aguenta mais nessa queda de braço. É hora de ponderar e que todos os envolvidos cheguem a um denominador comum.
O lado mais fraco deste embate, a população, agradece por uma solução.