Estamos pagando a fatura da incompetência e despreparo administrativo, que
ficaram evidentes, ainda mais evidentes, depois da campanha eleitoral
Alta carga tributária em troca de serviços precários na saúde, educação e trânsito. Essa é apenas uma das consequências dos problemas de gestão que enfrentamos no Brasil. O dia de ontem nos fez refletir sobre o impacto financeiro que já incorporamos no nosso cotidiano e, muitas vezes, nem nos damos conta das altas quantias que desembolsamos e são repassadas ao governo. Ontem, em algumas cidades do País, foi possível adquirir produtos sem pagamento de tributos. Em Campo Grande, condutores até dormiram na fila para conseguir comprar gasolina a R$ 1,82 o litro, com o limite de R$ 40 por veículo. Tudo para tentar economizar um pouco diante dos valores acima dos R$ 3 que precisam ser desembolsados nos demais dias. Os preços dos combustíveis representam apenas um dos tantos aumentos deste ano, com a fragilidade econômica do País. Energia, alimentos e diversos outros setores são impactados.
Os brasileiros já pagaram R$ 800 bilhões em impostos neste ano. Até o fim de 2015, podemos chegar à quantia exorbitante de R$ 2 trilhões, quantidade considerada recorde, segundo a Associação Comercial de São Paulo. Só os sul-mato-grossenses já desembolsaram cerca de R$ 1,6 bilhão em tributos. Sem dúvida, não estamos nem próximos da contrapartida em investimentos para tentar “restituir” tais valores em serviços públicos. A meta do governo federal neste momento é recuperar o crescimento, evitar o descontrole da inflação e garantir o equilíbrio entre receitas e despesas, conforme declaração feita na última semana pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. Por isso, o empenho consiste em viabilizar as metas de ajuste fiscal e parece cada vez mais distante a proposta de tentar reduzir qualquer tributo.
Teremos de continuar pagando as altas taxas, o que parece total disparate diante do recente anúncio feito pelo governo de Dilma Rousseff dos cortes de R$ 70 bilhões no orçamento. Estamos pagando a fatura da incompetência e despreparo administrativo, que ficaram evidentes, ainda mais evidentes, depois da campanha eleitoral. Com isso, teremos menos dinheiro na saúde, educação e menos obras, mas os impostos consomem fatia cada vez maior dos orçamentos familiares. Os programas considerados carros-chefe da gestão petista - Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e Minha Casa, Minha Vida - também acabaram atingidos. Assim, perdem-se chances de estados e municípios contarem com empreendimentos importantes de desenvolvimento e até obras que poderiam fomentar a geração de empregos. O setor da construção civil, neste ano, amarga um dos maiores baques do descontrole financeiro, com fechamento de mais de 1,3 mil postos de trabalho apenas neste ano. No total, a geração de empregos caiu 83% de janeiro a abril de 2015.
Incapacidade administrativa, equívocos na condução da política econômica e até mesmo os casos de corrupção podem explicar o descontrole nas contas oficiais. Agora, será inevitável adotar medidas para consertar os erros e evitar caos ainda maior - com greves, paralisações e cortes nos investimentos. Entretanto, o governo não pode continuar adiando os planos de iniciar uma reformulação na área tributária, a qual precisa ser articulada com o controle financeiro. Caso contrário, o cidadão continuará pagando caro e não enxergando a contrapartida do dinheiro.