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CORREIO DO ESTADO

Editorial de quarta-feira: "Labirinto de dívidas"

Editorial de quarta-feira: "Labirinto de dívidas"

Redação

27/05/2015 - 00h00

A conclusão é simples e preocupante: mais pessoas estão endividadas e terão de reduzir seu poder de consumo, complicando ainda mais a situação do comércio e da indústria

Aumento nas contas de luz, no preço dos combustíveis e nas compras nos supermercados. As contas domésticas ficaram mais caras e muitas famílias tiveram de  optar na hora de definir quais débitos seriam quitados. Para piorar, os reajustes salariais ficaram aquém do necessário para acompanhar a inflação alta, os índices de desemprego continuam avançando e as taxas de juros bateram recordes. O juro médio anual do cheque especial está em 220,35%, o maior desde dezembro de 1995; do cartão de crédito, em 345,84%, a taxa mais elevada desde março de 2011.

Essa combinação de dados da área econômica leva a uma consequência inevitável: aumento no endividamento. Em um ano, o número de cadastrados no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) aumentou 103%. A conclusão é simples e preocupante: mais pessoas estão endividadas e terão de reduzir seu poder de consumo, complicando ainda mais a situação do comércio e da indústria.
O cenário ruim afeta a intenção de compras e a disposição natural dos consumidores é restringir, para não aumentar ainda mais os rombos nas contas. Nas empresas, ocorre a estagnação de novas contratações ou até demissões para tentar fôlego maior no caixa. Os governos tentam encontrar a saída do labirinto de dívidas. Precisam cortar gratificações, diminuir número de comissionados e não dão conta dos reajustes salariais reivindicados. Assim, surgem as greves e manifestações, que, apesar de configurarem direitos legítimos dos trabalhadores, acabam prejudicando todos os cidadãos, os quais já estão sendo castigados pela crise decorrente dos equívocos econômicos. No Estado, setores da educação e saúde estão sendo seriamente prejudicados. Certamente, é preciso reagir às injustiças e discrepâncias na aplicação do dinheiro público, mas há limites para que o caos não fique ainda maior.

A expectativa é que, com a aprovação do ajuste fiscal e os cortes de R$ 70 bilhões em investimentos federais, a gestão de Dilma Rousseff consiga, finalmente, retomar o controle das contas públicas, escondido durante a campanha eleitoral. Assim, a expectativa é que estados e municípios consigam sair do sufoco. O governo de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Campo Grande estão no limite dos gastos com pessoal, quase ultrapassando o que estabelece a Lei de Responsabilidade Fiscal. Nas negociações com sindicatos das categorias, a promessa é pagar algumas diferenças relativas ao aumento no fim deste ano. Por isso, a luta constante para cortar despesas e tentar elevar um pouco as receitas. Espera-se que, desta vez, as reações ocorram com a agilidade necessária.

No caso específico da administração da Capital, tivemos problemas políticos – com todos os lapsos cometidos durante a gestão do prefeito cassado Alcides Bernal – e até mesmo graves falhas da atual equipe, as quais contribuíram para o total descontrole nas finanças. Reajustes contratuais com valores exorbitantes configuram entre as despesas questionáveis.

As dificuldades enfrentadas pelas famílias que não conseguem quitar suas contas decorrem dos vários equívocos do poder público, que repassa a conta da incompetência e do despreparo para todos os brasileiros. Agora, a luta de todos é para encontrar a saída, sem mais prejuízos.

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