Prá lá de espertos, os olhos puxados semicerrados enxergam muito mais longe do que a nossa vã “ingenuidade” possa alcançar. Demasiada bondade parece ação de pai para filho que, às vezes, nem entre laços familiares acontece. Tomara que dê certo, pois a população precisa sair do terrível pesadelo. Caos na saúde, na segurança pública, do vergonhoso 60º lugar na educação, das pífias ações do governo e da falta de lisura com a coisa pública. O Brasil cada vez mais desacreditado.
O Congresso Nacional (casa do povo?) se tornou num grande balcão de negócios. É triste quando se lê, ouve e vê expoentes da política brasileira falar, sem nenhum pudor, do toma lá da cá, comércio onde a consciência é comprável. Nossos avós diriam que perderam o vermelhinho da cara.
Agora, no difícil momento econômico, aflora amor de mãe para filho. “É muita bananinha prá um mil réis” ditado regional dos nossos irmãos cuiabanos ao perceber bondade excessiva; salamaleques. Na crise, o Brasil recebe afagos, não dos Estados Unidos da América, nem do Japão e nem dos países da União Europeia que, pelo visto, não interessam em ajudar, mas esse mimo vem da China parceiro comercial que nos inunda com seus produtos, muitos de qualidade duvidosa. Foi importante a gestão do ex-presidente Lula na consolidação desse comércio bilateral, porque comercializar com bilhão de pessoas é gratificante.
O primeiro-ministro chinês Li Keqiang liberou a exportação da carne bovina para o seu país. Apesar de ser ótimo, não comprometerá o consumo interno? É bom saber se não traz mais dificuldades à população até porque o ministro Joaquim Levy, com voluptuosidade sobrenatural, está cortando recursos, e esse conjunto de fatores pode inquietar as pessoas em razão dos constantes aumentos dos alimentos da cesta básica.
Todo aporte financeiro é bem-vindo. Mas não se deve esquecer-se do regime capitalista. A China, embora fechada, entra na dança, e não é pecado. Mas os amigos da língua mandarim e de olhinhos semifechados têm coração magnânimo a ponto de aplicar bilhões no Brasil sem visar retorno financeiro? Nem pensar! Em economia de mercado não há benevolência que resista aos lucros.
Os acordos comerciais com a China ajudarão reerguer as finanças brasileiras ou veem camuflados de algo que, no futuro, acabará com o amor maternal, os olhos semifechados vão se arregalar e a espada escondida nos ferir. O tempo dirá.
A linha férrea rumo ao Oceano Pacífico - que deveria passar por MS e por inércia dos políticos toma o rumo do Estado de Mato Grosso - enfrentará sérios obstáculos com o meio ambiente. Tomara que não siga o caminho da “Abreu e Lima”, refinaria de petróleo que se constrói no Estado de Pernambuco com a pedra fundamental lançada aos beijos e abraços entre Lula e Hugo Chaves, então presidente da Venezuela, que se comprometeu contribuir, mas ficou só na promessa e a despesa em bilhões de reais nas nossas costas.
Agora, parece que o ministro da Fazenda, Senhor Levy, foi categórico ao dizer com todas as letras: “o dinheiro acabou”. Ué, nem a China aguentou o peso de ser a salvadora da pátria?
Um treinador de futebol brasileiro ao ser acossado, numa entrevista, disse: “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.
Ninguém entendeu nada. Pudera! Mas fica fácil entender que uma coisa é o governo querer impingir a ideia de que todas suas ações são sempre benéficas ao povo; outra coisa é não se sensibilizar, ou melhor, é não querer ver as pessoas lutando, todos os dias, em busca desses tais benefícios que nunca chegam. Pelo que estamos e ainda vamos passar é bom “abrir os olhos”, por a “barba de molho”, ter o “pé atrás”. O velho adágio popular cai bem: “Quando a esmola é muita o santo desconfia”.