Depois das eleições um cidadão me disse preocupado com o Brasil que iria virar Cuba, um país comunista. Respondi que teríamos a oportunidade de tomar rum, fumar um bom charuto, visitar Varadero, e dançar os ritmos caribenhos. Em continuidade lembrei que os médicos cubanos não precisariam de visto, abandonaríamos os planos de saúde caros teríamos remédios e medicina gratuita, e todos nós, profissionais liberais receberíamos um salário semelhante, pequeno, porem sem distinção de profissão e possivelmente o porto de Mariel não estaria na agenda oposicionista.
De lá para cá, as coisas mudaram. Pelo visto ele tinha certa razão. Brasil não vai virar Cuba e sim Cuba fatalmente virará os EUA, como já fora no passado, quando a ilha era freqüentada e explorada pela escória de jogadores, prostitutas e contrabandistas da máfia americana, acobertados por Batista, o que ensejou a limpeza revolucionária de Fidel.
O bloqueio econômico de meio século não terminou, mas inúmeros americanos já estão visitando a ilha. Cirurgiões americanos descobrindo como fazer próteses de qualidade e implantes baratos uma prática da medicina cubana tão mal aceita por nós. Michael Moore, o jornalista americano, foi recebido em Cuba com um grupo de bombeiros americanos vitimados pela fumaça do atentado, sendo surpreendido pelo tratamento especializado que receberam, e se confessava sem palavras de agradecimento.
Para outros, Cuba tem sua importância e recebeu de François Holande a promessa que os franceses na ONU trabalharão a favor da resolução que exige o fim do bloqueio, e renovando seu compromisso com acordos bilaterais, na saúde, tecnologia, educação e cultura, elogiando o desempenho dos médicos cubanos no mundo, afirmando que “o país era responsável na América Latina por uma forma de expressão da dignidade e da independência, escolhendo uma educação e uma qualidade na saúde”. Esta distensão servirá não só para desenvolver economicamente o Caribe e a diversificação comercial, mas para mostrar que não mais existe lugar de mentes tacanhas formatadas pela ideologia da guerra fria. O congresso americano ainda se mostra renitente a abertura assim como alguns setores da sociedade brasileira e reagem contra qualquer aproximação com Cuba.
Na “tupiniquim-land” essa repulsa é resquício da ditadura e atualmente uma reprovação oposicionista em relação ao porto de Mariel, em Cuba, comercialmente estratégico para o Brasil. Os investimentos financiados pelo BNDES foram gastos na compra de bens e serviços brasileiros oportunizando 156 mil empregos. O fato é contestado pelos que defendem a modernização dos nossos portos, necessária, mas de eficácia duvidosa. Quanto ao comunismo e a desapropriação das terras da Igreja ninguém melhor para falar que o articulador e mediador da aproximação, o Papa Francisco, dando continuidade às relações políticas vaticanas iniciadas em 1996 por João Paulo II e Bento XVI.
Cuba tem histórias de lutas e representa um ponto geograficamente estratégico no Caribe, e cabe ao Brasil, como país de influencia hegemônica na America Latina ocupar seu espaço econômico, onde outros países têm interesses, mas sem as nossas afinidades regionais, econômicas e culturais.
Uma relação saudável entre americanos (Pelé - Cosmos) e cubanos que terá lugar como resposta, as “idiocrasias” e as disputas estratégicas passadas. Esperamos que seja comemorada com Cuba Libre (Rum, Coca e Limão), que apesar de “out”, escanteará como no futebol, os energéticos americanos da moda.