O corte de R$ 67,5 milhões no repasse de verbas federais para pavimentação de rodovias já resulta em perda de competitividade no agronegócio e, também, no turismo.
Além do efeito no bolso do cidadão, no caixa dos estados e das prefeituras, as consequências da política econômica do governo da presidente Dilma Rousseff também são desastrosas na área da infraestrutura. O corte de R$ 67,5 milhões no repasse de verbas federais para pavimentação de rodoviais importantes ao desenvolvimento do Estado de Mato Grosso do Sul já resulta em perda de competitividade no agronegócio e, também, no turismo.
A pavimentação da Rodovia Sul-Fronteira, que liga o distrito de Sanga Puitã, em Ponta Porã, até a cidade de Mundo Novo, na divisa com o estado do Paraná, colocaria no mapa econômico do Estado cidades fronteiriças com o Paraguai, como Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Paranhos e Sete Quedas. Além de integrar a produção destas cidades ao restante do Brasil, quando asfaltada, a estrada também ajudaria no combate ao tráfico de drogas e à criminalidade na região.
A nova rodovia, passaporte para tirar estas cidades do noticiário policial e levá-las para as páginas de economia, foi interrompida, no entanto, pelos cortes de verba. Conforme o governo do Estado, não há previsão de retomada da pavimentação da estrada.
Outro setor importante e promissor para a economia de Mato Grosso do Sul, o turismo, também foi atingido duramente pelo contingenciamento do governo federal. O repasse bloqueado pela União serviria para pavimentar duas rodovias fundamentais para integrar os dois roteiros mais visitados do Estado: Bonito e Pantanal. A pavimentação da MS-178, que liga as cidades de Bonito e Bodoquena, e também encurta o acesso asfaltado para a BR-262, é outra obra que continuará inacabada.
Além de servir ao turismo local, a pavimentação da rodovia também contribuiria com o escoamento da produção agrícola da região e representaria mais uma alternativa para o transporte de produtos minerais dos municípios de Bodoquena e Corumbá.
Os prejuízos à infraestrutura de Bonito não param por aí, porque a terceira obra prejudicada pelos cortes de verbas federais é o trecho da MS-382 que liga a cidade à Gruta do Lago Azul, uma das principais atrações. O município, em 2013, foi considerado o melhor destino de turismo sustentável do planeta, durante Feira Mundial de Negócios de Turismo, nada menos que o evento mais importante de todo o globo, neste setor. Juntamente aos aquários naturais, a gruta foi fundamental para revelar as belezas da região da Serra da Bodoquena para todo o mundo, a partir da década de 1980.
A herança deste período de aperto fiscal e corte de recursos federais, causados pela crise econômica que teve início no fim do ano passado, será de mais atraso na corrida pelo desenvolvimento. A paralisação destas rodovias é um exemplo claro disso. Em vez de criar oportunidades, estas obras frustram expectativas da população e de investidores, e podem gerar ainda mais custos para o poder público, quando forem retomadas.
Estes projetos, que deveriam contribuir para ajudar no combate à crise, hoje, paralisados, só ajudam a agravá-la ainda mais.