Artigos e Opinião

OPINIÃO

Joel Mesquita: ''Desabafo de um professor''

Sociólogo, professor, estudante de Direito e policial civil

Redação

07/06/2015 - 00h00

“Em tempos de censura institucional, quando é proibido falar e dizer o que pensa, sou um homem livre: vou desabafar.” 

Agressões ao professor têm se tornado uma constante na Pátria Educadora, visto que professor no Brasil, quando não apanha da polícia, apanha de aluno delinquente. Basta que se faça uma breve pesquisa para constatar notícias de inúmeros casos. Outro dia, na cidade de Rondonópolis-MT, um aluno agrediu fisicamente uma professora.  

Um dia desses, assisti perplexo, pelos meios de comunicação de massa, a uma manifestação de professores no Paraná, que foi reprimida com muita truculência pela polícia estadual. No Estado Democrático de Direito Brasileiro, a polícia bate em professor e ainda se vangloria dessa escolha lamentável.

É sabido que as pessoas têm o direito de se manifestarem pacificamente. As informações dão conta de que os professores estavam protestando de maneira ordeira e pacífica. 

Por essas e outras motivações que, aqui no Brasil, as mentes brilhantes já não querem mais seguir carreira no Magistério. Nos dias atuais, infelizmente, disseminou-se no imaginário coletivo que escolher ser professor é coisa de “gente fracassada”, que não conseguiu arrumar outra ocupação mais rentável. Ao longo dos anos, vendeu-se ideia que o professor deve trabalhar por amor, por vocação, e não por um salário digno.

O Brasil, sob o comando da Senhora Presidente Dilma Rousseff, elegeu como um dos lemas de seu segundo mandato “Brasil: Pátria Educadora”. O lema não condiz com a realidade lastimável em que se encontra a educação básica brasileira, visto que a figura do professor, a cada dia que passa, perde prestígio; não raras as situações humilhantes as quais o professor é submetido em seu cotidiano de trabalho, desde sofrer ameaças de alunos, até ter seu veículo danificado por menores infratores dentro da garagem da escola, ter que refazer diários de classe, porque não atribuiu nota 10 para aluno incompetente, e outras coisas que dá até vergonha de falar. 

Tenho a percepção que nós, professores da Rede Pública de Ensino, somos os agentes do Estado Democrático de Direito, responsáveis pela manutenção das desigualdades de oportunidade e reprodução das iniquidades na esfera educacional. 

Ao resignar silenciosamente diante dessa crise de gestão e autoridade, com consequente perda de legitimidade, estamos endossando o fracasso intelectual de uma geração.

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).