Artigos e Opinião

ARTIGO

''História, Fatos e Coisas Douradenses"

Ruy Sant'Anna - Jornalista e advogado

Redação

08/06/2015 - 00h00

Faleceu o amigo João Augusto Capilé, o caro Sinjão Capilé, no dia dois, aos 99 anos. Que Deus o tenha sob sua guarda e amparo espiritual, com extensão de sua Luz aos familiares e demais descendentes. Sinjão nasceu em Rio Brilhante (MS) e era casado com a Senhora Roma Capilé. Foi vereador e prefeito de Dourados por dois mandatos consecutivos. Era assessor do então deputado Ruben Figueiró de Oliveira, de quem se orgulhava pela amizade. Em 1961, mudou-se para Cuiabá com a mulher e os oito filhos, mas não se desligou totalmente da “sua” Dourados.

Homem simples, afável e sempre com um sorriso pronto a produzir a empatia de quem o contatasse ou pudesse desfrutar das inúmeras histórias contadas pela sua experiência de vida que prazerosamente compartilhava, provocando gostosas gargalhadas ou simples sorrisos. Também era bom violeiro.

Editei o Livro “História, Fatos e Coisas Douradenses” com os comentários do João Augusto “Sinjão” Capilé, da Senhora Maria de Lourdes Cruz e Souza (a quem todos tratavam carinhosamente de “Dona Lourdinha”), da qual me orgulhou sua amizade, e do médico Júlio Capilé, da reserva do Exército e irmão do Sinjão, este, morador e profissional em Brasília, com o destaque Capilé no sobrenome e construtivo modo de vida. Todos, historiadores natos e de estimulante narrativa que emolduraram as páginas do livro com recheados causos que a todos, que tiveram nas mãos tal obra, encantaram e divertiram.

Fora da sisudez ou análise rigorosa para satisfação literária, embora o livro tenha conteúdo positivo e autêntico, o “História, Fatos e Coisas Douradenses” cumpriu seu propósito: marcar a história, o carinho, amor e dedicação de filhos de coração pela terra e pessoas que os amaram. Leais e amáveis narradores de suas vidas e conhecimentos que adquiriram em e sobre Dourados de seus tempos. Tive a honra de ser o editor e ter feito um comentário de referência sobre aqueles autores amigos. A minha participação na edição desse livro foi bem artesanal, mesmo tendo ocorrido em 1995, pois não dispunha de computador e todo o trabalho de impressão foi feito pelo amigo Arlindo Ortiz numa máquina precursora do computador que era uma “Composer”. Atuei por absoluto reconhecimento à amizade, sem qualquer outro privilégio. Não pude comparecer ao lançamento do “História, Fatos e Coisas Douradenses” por complicação de saúde da minha saudosa mãe Dalva, mas mandei minha mensagem, que foi lida durante aquela oportunidade, fato que me emocionou.

Ninguém teve pretensão literária naquela obra, mas o registro amável de corações sensíveis de pessoas que respeitavam seus concidadãos e coestaduanos. Foram aos detalhes históricos e de causos, ouvindo os mais antigos e anciães, conhecedores de fontes seguras; as bibliotecas e arquivos receberam suas pesquisas, causando curiosidade a circunstantes eventuais, sempre com interesse de conteúdo. Os três autores Sinjão Capilé, Dona Lourdinha e Pedro Capilé, embora pessoas simpáticas e generosas, eram realizadas pessoalmente e não fizeram dessa obra uma mera vaidade pessoal. Ocuparam-se em não estremecer vaidades ou caprichos literários de ninguém, buscaram na lealdade de suas vivências a mostra de seus amores por Dourados e sua gente.

Conheci-os de perto. Triste, agora, pela perda física do Sinjão, mas confortado por procurar estar ao lado de pessoas decentes e progressistas neste plano de vida, dou bom dia, o meu bom dia para a família do Sinjão Capilé, de Dona Lourdinha, que foi esposa de meu saudoso amigo, conselheiro aposentado do TCE, Horácio Cersósimo de Sousa e do caro amigo Pedro Capilé. Estou fortalecido por tê-los conhecido de perto e oportunizar que mais sul-mato-grossenses saibam que temos em nossa história e certamente em nossos dias pessoas assim. Assim, bom dia pra você.

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