Artigos e Opinião

ARTIGO

Rapphael Curvo: 'Perdidos em tempos sujos"

Jornalista e advogado

Redação

09/06/2015 - 00h00

Por todo lado que se mexe é sujeira. O que nos levou a tudo isso? É difícil uma resposta que explique essa falta completa de ética e moral na maioria dos nossos empresários e em quase a totalidade dos nossos governantes. Alguns indícios nos levam a pensar que tal procedimento está muito ligado à baixa formação dos que ascenderam na escala social via cursos superiores ou mesmo pela via dos favores políticos. A escalada pelos títulos e outras formas, passam a não ser suficientes para a estabilização social e aos poucos começa a exigência dos ganhos financeiros. 
Como o modelo americano de enriquecimento pelo qual se mirava o brasileiro tem por base o conhecimento e o mérito, difícil de ser alcançado em velocidade compatível com o crescimento econômico do mundo, tal orientação não se fez valer em nosso meio social no qual prevaleceu a valorização pessoal calcada na obtenção de bens e poder financeiro. Diante desta regra abriram-se caminhos para os malfeitos como via de status social e de Poder.

Esta situação vivida no Brasil tem levado ao aumento do fosso tecnológico e de respeito, como Nação, no cenário internacional. O resultado disso é que apenas aventureiros especulativos estão apostando, ainda, na capacidade de retorno de investimentos. Mesmo com juros astronômicos, tem-se reduzido aos poucos essa participação especulativa e de forma intensa àquela voltada ao investimento produtivo. Percebe-se que estamos aos poucos secando todas as formas de obtenção de recursos para mover a economia brasileira. A descrença da população em dias prósperos está em declínio acentuado e isto é visível no comércio e outros setores de nossa economia. Já há uma manifestação crescente de inquietação da população ante seus compromissos assumidos e sua impossibilidade de cumpri-los. O povo já está percebendo que o seu salário está no limite de possibilidades de aumento e que o mesmo já não sustenta a manutenção da casa ante os aumentos mensais de suas necessidades de consumo como luz, água, telefone, transporte e por aí vai.

Fica a população inerte ante a falta de movimento social e político que possa romper com os acontecimentos que estão em pauta e que a está levando a um atoleiro sem precedentes na história do Brasil. É necessária uma ação urgente que, no mínimo, traga uma luz de possibilidade de que algo possa, senão resolver, pelo menos otimizar expectativas que gerem um caminho para melhoria das condições que hoje estão pressionando para o campo da convulsão, da insatisfação social. 

É preciso que a classe política entenda que, nem sempre, seus desejos e estratégias de ganhos eleitorais correspondem ao bem estar da população que sofre até ao acontecimento de mudança no “status vivendi” político e social. Necessário se faz que este lado, o do povo, seja levado em maior consideração no jogo político, o que não está acontecendo atualmente.
Enquanto se desenrola no cenário político as questiúnculas partidárias e de disputas na estrutura de

Poder e de organização social e política do Estado brasileiro, o povo luta para sobreviver dos resultados e consequências dessa contenda de seus membros partidários. O povo é um mero detalhe. São poucos os líderes políticos que tem assumida posição de que esta é a hora de uma mudança radical na condução do governo brasileiro. Não há mais tempo para tentar manter o que aí está sob pena de perdemos a hora. O risco de quebrar o Brasil é grande, não para o Estado, mas para o bem estar e a qualidade de vida, que se hoje ainda não é a melhor, poderá logo ficar em estado precário. 

Corremos contra o tempo e torna-se imperativo que alguma atitude para reduzir essa possibilidade de quebra tenha que ser tomada e não pode, sob hipótese alguma, ficar na espera de melhor tempo ou mesmo de dar tempo ao tempo. É suicídio político daqueles que pensam que levar por mais quatro anos tal situação possa, no futuro, tirar ganhos políticos. Não podemos continuar perdidos em tempos sujos.

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