Tendência é agravamento do setor pecuário, previsão anteriormente feita pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e que se consolida cada vez mais.
A crescente importação de carne em Mato Grosso do Sul é o reflexo dos efeitos da retração econômica, que atinge, agora, o setor agropecuário, de relevância histórica e tradicional na balança comercial do Estado. É mais uma prova de que o País sofre as consequências de tomadas de decisões equivocadas na gestão pública; a tendência é agravamento do setor, previsão anteriormente feita pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e que se consolida cada vez mais.
Pelos números divulgados na reportagem do Correio do Estado, as empresas brasileiras estão optando em ampliar operações das unidades implantadas em outros países, como Paraguai e Uruguai. A explicação é que houve redução da produção e do consumo brasileiro, além do aumento dos custos. A queda na oferta é realidade há anos. Dados da Superintendência Federal de Agricultura (SFA) mostram que, no primeiro quadrimestre de 2013, foram 1,399 bilhão bovinos abatidos; no ano seguinte, passou para 1,294 bilhão de abates e, este ano, em igual período, foram 1,157 bilhão.
O encolhimento gradativo é consequência do abatimento de fêmeas, período de seca que impactou na qualidade do pasto e a migração dos produtores rurais para outras atividades no setor. Neste quadro, ainda há elevação de despesas elementares, principalmente da energia que, somente este ano, subiu em 46,27% para o setor industrial. No efeito cascata, sobrou para todos os lados: dez unidades frigoríficas fechadas no Estado entre 2014 e 2015 e demissão de 2 mil trabalhadores desde o início deste ano.
O cenário já não era positivo e foi agravado pela conjuntura econômica do Brasil. Por conta disso, há dois meses, o Departamento de Agricultura americano revisou as previsões de produção e consumo para carne bovina, levando em conta restrições como aumento da inflação, do desemprego e ajustes fiscais de desagrado à população. A avaliação feita pelo órgão dos EUA foi que o país está se encaminhando para recessão. As ofertas limitadas e maiores preços dos bovinos reduziram a margem de lucro dos frigoríficos.
Em março, a perspectiva positiva do relatório americano era o aumento da exportação de carnes bovina e suína em decorrência da desvalorização da moeda brasileira. Os números em Mato Grosso do Sul mostram que o comércio exterior foi afetado pela política econômica. De janeiro a maior deste ano, o montante negociado em carnes desossadas e congeladas de bovinos caiu 39,78% em comparação ao comercializado em 2014. A retração no desempenho decorre da queda na participação de importantes mercados. No caso do setor pecuário no Estado, foi a venda para a Rússia. A receita dessa comercialização despencou 74% este ano.
No começo de maio, o Governo Federal lançou plano de ações para desenvolvimento do setor agropecuário. São cerca de 50 ações divididas por seis áreas, como suporte estratégico, sustentabilidade econômica, modernização e desburocratização. A inteção, segundo a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, vai redesenhar o atual modelo, garantindo mais eficiência e eficácia aos produtores.
Estas ações serão tomadas em prazo de cinco anos, ou seja, a previsão é de execução até 2020. O cenário negativo já era desenhado desde o ano passado. Espera-se que não seja tarde demais para a tomada de medidas que possam conter o prejuízo às negociações.